Conselho Gestor

Conselho Gestor

CG - Conselho Gestor – Órgão máximo do Brazil Rider’s, composto por: José Clóvis de Oliveira (GO), Fabio Cancela(MG) e Kenji Yoshida(SP)

Atribuições como dirigente superior: Tomar decisões em âmbito superior, designar os Coordenadores Estaduais; mediar eventuais conflitos; autorizar pessoas ou empresas a comercializar produtos com a marca Brazil Rider’s*; aprovar eventos com a marca Brazil Rider’s**; suspender, excluir ou incluir qualquer integrante, se assim entender conveniente para o bom andamento da rede de apoio, atribuir o título de Senior a integrantes com mais de 60 anos de idade e que tenham prestado relevantes serviços à Rede Brazil Rider’s de Apoio ao Motociclista Viajante;

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Quinta, 06 Dezembro 2018 17:29

Maringá(PR) para Búzios(RJ)

Relato de Viagem Maringá (PR) – Búzios (RJ) – 1300 km

Triumph Rocket III

 

Essa foi minha primeira viagem “longa” de moto  e sozinho, antes disso já tinha rodado no maximo 250km ida e volta para lugares próximos. Me preparei umas duas semanas antes, creio que não tinha tanta coisa pra planejar, já que tinha ido outras vezes de carro para Búzios. Também foi a primeira viagem que fiz com a Triumph Rocket III (para os que têm ou querem ter a moto, tenho dados de consumo e desempenho nesse relato, algo que não tinha achado ainda na Net).

 

Antes de ir, comprei uma bolsa traseira e um par de alforjes, que foram bem úteis e sobrou espaço. A única coisa que levei de especial foi um spray selante para pneu (não sei bem se iria utilizar, acho que só se furar parado o pneu. Se furar andando acho que não teria função, estaria bem ruim meu estado) .  

Sai daqui umas 7:00 da manhã de sábado (19/06) com um frio de uns 12 graus e sensação térmica bem abaixo disso. Fui com luvas sem dedos (tive que trocar depois de Ibiporã pq tava congelando). Logo no posto policial de Marialva, quando parei para ajustar volume do mp3, um policial veio e começou a conversar e perguntar da moto (30 minutos de boa conversa).  

Bom, no dia anterior tinha abastecido (como fazia há alguns dias) com gasolina Premium de alta octanagem, esperando um melhor desempenho e consumo menor, mas pelos testes feitos de fato a única diferença sutil foi que “encorpou” um pouco as retomadas (mesmo assim, não vale a diferença). Quanto ao consumo do primeiro tanque foi de 14,5 km/l, andando em uma velocidade entre 90km/h e 110km/h (era frio demais pra acelerar mais e muitas curvas). Rodei 256 km até abastecer no posto Kennedy perto de Ourinhos. Logo na seqüência peguei a Castelo Branco (que não tem pedágio para motos), daí consegui sentir realmente a Triumph e para onde ela foi feita (nada de curvas, parece um caminhão para fazer curvas, horrível). Andando em uma media (visual) de 130 a 150 km/h (detalhe, a placa da moto foi tampada pela bolsa traseira e “churrasqueira”).

Fui parado por um policial na entrada da Castelo a 180km/h (tenho filmagem dessa cena). Mas só conversamos, ele queria saber mais da moto e pra onde estava indo (mais 20 minutos de boa conversa). Mas, a Castelo não tem como resistir, então, acelerei. Ainda mais pq estava sozinho, quando estamos com alguém fica mais fácil curtir mais lento.  

No próximo abastecimento, uma surpresa, andando nessa velocidade (130km/h a 150km/h) a moto fez media de 14,50 km/l (resumindo, ela não aceita velocidades baixas, algo parecido com motor CHT, talvez lenda urbana, na época, andando rápido ou lento o consumo era o mesmo).

 

Jhonny

 

Claro, o difícil dessa moto também é agüentar segurar ela nessa velocidade, o vento bate todo no peito, ou seja, tem q literalmente “segurar na moto”. Quando eu abaixava um pouco pra cortar o vento, dava pra aliviar as mãos e pulsos.  

O tempo me ajudou muito, somente sol, ida e volta da viagem, pista praticamente limpa, sem caminhões e carros. Na ida encontrei um solitário de HD também, curtindo a Castelo.  Até São Paulo abasteci mais uma vez e também a media ficou na mesma, 14,5km/l. Bem constante. 

Cheguei em São Paulo as 14:00 horas, transito leve na Tiete. Fui buscar onde ficar, na minha tia, zona norte...com certeza me perdi algumas vezes, ligações e pedidos de informações. Levei uma hora ou mais para localizar a casa dela. Ao me verem, claro que me chamaram de louco e todas outras coisas (mesmo meus tios tendo uma Vulcan guardada em casa, eu acho que já rodaram mais do que eu). Almocei e dormi cedo, estava meio cansado por uma tensão natural.

Levantei no Domingo cedo, calculei que chegaria umas 3 da tarde em búzios (tentar assistir o jogo do Brasil), se tivesse saído umas 7:00 horas da manha, mas acho que sai 9:00 da manha. Despedidas e procurando por posto atrasou um pouco. Em São Paulo como em outras cidades temos que tentar achar um posto de confiança, mas percebi que nem com bandeiras de distribuidoras podemos confiar. Novamente o consumo ficou próximo do que já estava fazendo.

Chegando no Rio de Janeiro, foi tranqüilo, sem transito também, peguei direto a Av. Brasil e fui para a  ponte Rio-Niteroi.  

Algo que acontecia constantemente nas minhas breves paradas, em geral entre 10 e 15 minutos, para abastecer, ir ao banheiro e tomar um café, todos que viam a moto, desde frentista ate pessoas no posto, iam me ver, perguntar de onde vim e para onde ia, queriam saber da moto etc. Fui bem recebido, e parabenizado pela coragem.   

Fiz meu ultimo abastecimento logo na entrada da Via Lagos, concessionária do trecho de estrada que leva ate búzios. Comi um sanduíche de lingüiça (excelente). Foi em um posto de bandeira, talvez Ipiranga. Bom, logo que sai não percebi, mas depois de uns 10 km, senti que nas retomadas a moto não rendia, não dava giro como antes. Parecia um motor 16 válvulas, que em baixo giro dava trabalho, bem diferente. Ou seja, gasolina batizada, logo que cheguei em Búzios abasteci novamente e surpresa, a moto fez media de 16km/l. Mas eu acho que foi pq não dava giro facil e com isso não consumia muito, mas claro, prefiro ela bebendo mais do que com problemas futuros.   

Cheguei em Búzios 16:15, acho que no intervalo de jogo do Brasil, tomei uma cerveja, relaxei, terminei de ver o jogo. Viagem tranqüila com certeza, pouca gente mesmo na estrada, devido ao jogo. Fiquei uma semana lá, andei pouco com ela na cidade, pq é bem ruim para fazer curvas e paralelepípedos, mas ela chamava bem a atenção de onde passava e sempre era convidado para fazer um passeio em Tiradentes, acho que naquele final de semana mesmo. Encontrei um pessoal que faz parte de Clube de motos lá mesmo.  

Bom, o retorno, pretendia sair no sábado para descansar em São Paulo novamente, mas foi impossível, compromissos (festas) me impediram. Fui dormir as 3 da manhã no sábado, levantei as seis e sai de búzios 7:30 da manha. Atrasado como sempre.  

Fiz o que podia para rodar o máximo possível, pq tinha que trabalhar ainda na segunda, então, fiz uma “loucura” , rodei 950 km, direto até Ourinhos. Com paradas para reabastecer e um momento para lanche. Na Castelo branco, no inicio dela, vi dezenas de motos vindo de algum encontro que teve ali por perto. Na ida, ainda na Dutra, passaram por mim dois casais um com uma BMW e outra KTM 990 (pq o povo de BMW sempre anda rápido? Ou eu que ando lento demais?). Parei e fui conversar com eles em um posto. Estavam indo para Bento Gonçalves, curtir um pouco de frio. Falei que não conseguiria acompanhar até São Paulo pq eles são muito rápidos, principalmente em curvas (como disse, acho que eu sou lento nas curvas).  Perto de Ourinhos, já escuro 18:30 (não toquei direto para Maringá, pq eu estava com uma viseira escura, já não tava vendo mais nada),  encontrei um casal de virago, segui até entrada da cidade e pedi para eles pararem e me indicarem um hotel. Agradeci e fui comer algo e descansar. Na segunda feira cedo, sai do hotel e vim para Maringá, cheguei umas 9:30 da manha, 3 horas de viagem, bem tranqüila.  

Resumindo tudo isso, achei fantástico a estrada, não tem coisa melhor. Creio que preciso fazer mais disso, só falta mais pessoas pra dividir esses momentos. Tenho idéia de ir pra Buenos Aires em outubro ou novembro, caso tenha interessados no BrRiders, estou esperando o contato.  

Abraços 

Jhonny k.

Quinta, 06 Dezembro 2018 17:29

MAURO DAMASCENO...OIAPOQUE-CHUI DE MOTO

11/07/2009.

A REALIZAÇÃO DE UM SONHO ANTIGO.

 

 Quando Indagado sobre a minha expedição e o porquê dessa loucura, disse às pessoas que não acreditavam no meu potencial, na minha coragem e determinação em realizá-la, e que com isso tentaram-me desestimular e fazer desistir desse sonho tão antigo e agora tão real, e que está prestes a ser realizado: “Muitas são as razões que me motivam a buscar meus objetivos e a realizar os meus sonhos mais profundos.      Algumas dessas razões são nobres e dignas, outras são emergenciais e até mesmo casuais. Em verdade, o mais importante é que tenho projetos e sonhos realizáveis, metas definidas e firme disposição para persistir sempre.

     Distinguir as palavras de otimismo e encorajamento das palavras de desestímulo sempre foi para mim uma tarefa fácil.     Usei, portanto, o bom senso e o discernimento para saber insistir no que realmente vale à pena, e naquilo que eu queria realmente, sem me deixar acovardar pelos discursos pessimistas das pessoas de pouca fé, projetei e realizei minha expedição sem, no entanto dar ouvidos aos desacreditados e pessimistas, viajei durante 118 dias, pelos caminhos do Brasil em uma motocicleta FALCON NX 400C(HONDA). Visitei e conheci todas as capitais Brasileiras, ilha de Marajó, Distrito Federal (Brasília), e ainda as principais cidades Brasileiras que estavam na minha rota pré-definida, segui em frente com muita fé, determinação e coragem, e graças a DEUS, fui, vi e venci minhas limitações. De volta ao aconchego do lar, recebi o amor e o carinho das minhas filhas (Bruna e Dani) depois de uma longa ausência; sei que há novas fronteiras a serem atingidas, novas estradas a serem percorridas, muitas barreiras a serem quebradas, e muitas etapas a serem vencidas, enquanto os nossos sonhos não forem limitados".

   “Nada na vida esta realmente em nossas mãos... mas tudo está diante das nossas possibilidades, e é a possibilidade que me faz continuar e não a certeza. Uma espécie de aposta da minha parte. E embora possam me chamar de sonhador, louco ou qualquer outra coisa, acredito que tudo na vida é possível e realizável...”                                



EXPEDIÇÃO PRIMAVERA 2009-OIAPOQUE - CHUI.

NOS CAMINHOS DO BRASIL.       
     
              Depois de dezoito anos de sonhos, e mais dois anos de planejamento, finalmente iniciamos a expedição primavera 2009-Oiapoque-Chui, nos caminhos do Brasil, no dia 11/07/2009 as 08h00minhs em ponto, saímos de Primavera do Leste - MT em direção a primeira capital do país, a ser visitada: Cuiabá.

     Após visitar Cuiabá rumamos para Porto Velho no estado de Rondônia. No caminho belas paisagens, muito verde e muita água faziam parte do contexto, fizemos uma breve parada em Vilhena, onde fomos recebidos pelos irmãos do Brazil rider’s (Totto e Beto) (www.brazilriders.com.br)um moto clube virtual, mas com uma estrutura real, com integrantes de todo o Brasil, do qual também fazemos parte e que sem dúvida alguma, os irmãos BR’S foram os principais responsáveis pelo sucesso da expedição Primavera 2009-Oiapoque-Chui. E desde já quero prestar meus agradecimentos à todos os irmãos pelo apoio recebido.

     De Porto Velho onde fomos recebidos pelos irmãos Riders, Papa-Léguas e Mad-Max rumamos para Rio Branco no estado do Acre, fomos recebidos pelos irmãos Riders Karioca e Paulo Navarro, Rio Branco é uma capital com ares de cidade interiorana, mas muito aconchegante e com gente sorridente e alegre recebendo a todos com um largo sorriso nos lábios. De volta a Porto Velho fizemos a revisão nas motos e seguimos com destino á Humaitá no Amazonas, esse trajeto foi considerado um dos mais belos e perigosos da expedição em virtude dos animais que cruzavam a rodovia constantemente, e também, pelas paisagens avistadas, muito verde e uma selva quase que intacta nos acompanhou durante o percurso até Humaitá.

     Pernoitamos em Humaitá e no dia seguinte após abastecer as motos, comprar alimentos  e  água,  compramos também gasolina  extra para transpor o percurso de aproximadamente 700 km de selva, entramos na tão temida BR 319(Humaitá-Manaus). Esse sim foi o trecho mais perigoso de toda a expedição. Uma rodovia abandonada no meio da selva Amazônica sem recursos, com pouco alimento e quase nenhum habitante. No primeiro dia rodamos 250 km e pernoitamos acampados, em  uma das torres da Embratel (estação Brasil) dormimos em barracas, nos alimentamos de pão, lingüiça e água. Na manhã seguinte saímos com o raiar do sol e nesse dia bebemos sómente água de igarapé e comemos algumas bolachas de água e sal, chegamos a um acampamento do exército Brasileiro no final da tarde, e ali pernoitamos, nesse dia rodamos aproximadamente 200 km.

     No terceiro dia dentro da selva pegamos muita chuva e lama, e ali os tombos foram inevitáveis. A selva é quente e úmida o que faz aumentar o calor e sensação térmica chega aos 45 graus, nossa única fonte de água eram os rios e igarapés, nessa tarde chegamos á Manaus. Atravessamos o rio Solimões e pudemos presenciar o encontro das águas do rio Solimões com o rio Negro, formando o rio Amazonas. Em  Manaus fomos recebidos pelo irmão riders Shigueo e Permanecemos dois dias, desfrutamos da culinária local e conhecemos um pouco da cultura amazonense, que além de bela é riquíssima. A fauna da região amazônica e a flora são inigualáveis e creio que não existe nada tão vasto, belo e rico em todo o planeta terra.

     Na manha do terceiro dia já em companhia dos irmãos motociclistas Falcões de Aço de Volta Redonda-RJ, seguimos até presidente Figueiredo onde pernoitamos e na manhã seguinte seguimos rumo á Boa Vista, capital do estado de Roraima. Lá fomos recepcionados novamente pelos irmãos riders. No dia seguinte os irmãos falcões seguiram viagem para a Venezuela, nos despedimos felizes pelos novos amigos conquistados e fomos visitar outro amigo (Miguel levino persch) em sua fazenda próximo a cidade de Alto Alegre.

    No dia seguinte de volta á Manaus, pegamos um navio com destino a Santarém. Viajamos quase dois dias desfrutando as maravilhas do rio Amazonas, cardumes de botos e belas paisagens emolduradas pelo pôr-do-sol fizeram esse dois dias embarcados em um navio singrando ás águas do rio Amazonas inesquecíveis, em Santarém fizemos um breve descanso conhecemos a cidade, visitamos alguns amigos e a tarde pegamos outro navio com destino a Macapá. Chegamos a Macapá depois de dois dias de uma viagem inesquecível pelas águas do rio Amazonas. Em Macapá fomos novamente recepcionados pelos irmãos riders (Clésio), nos acomodamos em um hotel, e no dia seguinte rumamos para a cidade do Oiapoque. pernoitamos em Calçoene,e  lá visitamos a única praia do estado.um lugar paradisíaco sem igual,em seguida pegamos  a  estrada novamente com destino  ao  Oiapoque.

      Chegamos ao Oiapoque, nosso primeiro objetivo da expedição, no extremo norte do Brasil, à tarde debaixo de uma forte chuva e mais de 200 km de estradas de terra. Pernoitamos ali, conhecemos a pequena cidade onde o Brasil começa e na manhã seguinte retornamos á Macapá.

     Em Macapá visitamos o marco zero e algumas outras atrações e novamente embarcamos com destino á Belém

    Fomos recebidos em Belém pelo irmão BR’S (Alex Reis Menezes) a quem sou grato pelo apoio e pelos escritos que farão parte do livro, e parabenizar também o trabalho desenvolvido pelos expedicionários do Pará, um trabalho social louvável de grandes pessoas que são, e que descrevo em meu livro com muito orgulho. Parabéns Alex e irmãos expedicionários do Pará pela brilhante iniciativa, e que DEUS na sua infinita bondade e misericórdia abençoe a todos vocês. Visitamos o mercado ver- o- peso, e tantas outras belezas da cidade de Belém, além da magnífica Ilha de Marajó, um lugar paradisíaco, e de uma beleza exuberante. Depois de fazer a revisão e trocar o pneu traseiro das motos seguimos viagem com destino a São Luis no Maranhão. Aqui a paisagem já começa a mudar, a selva vai dando espaço a uma vegetação menos densa e já se começa a sentir no ar um cheiro gostoso de caju, alíás o nordeste todo tem um aroma gostoso de caju. Em São Luis fomos recebidos novamente pelos irmãos BR’S (Expedito) e ali desfrutamos de alguns dias de praia, sol e mar, deixamos o litoral e seguimos rumo a Teresina no Piauí, onde fomos recepcionados pelos irmãos riders (Bambu) e os bodes do asfalto. Teresina é uma capital interiorana e ao mesmo tempo majestosa, com belas avenidas e arquitetura moderna. Chegando ao Ceará começamos a trafegar por estradas consideradas por nós as piores do país, fomos recebidos novamente em fortaleza pelos riders e pelos bodes do asfalto (Carlos Oliveira (CBOB). Permanecemos três dias em fortaleza e pudemos conhecer bem a capital Cearense. Belas praias e muito sol fazem desse estado um dos mais belos, e quentes de todo o nordeste Brasileiro, a meu ver.

     Saímos cedo em direção a Natal, o cenário aqui é belíssimo uma vegetação típica do semi-árido cobre toda a extensão de terras. No caminho pernoitamos em canoa quebrada uma das mais belas praias que conhecemos no percurso. Chegamos a Natal no dia seguinte e fomos recebidos novamente pelos irmãos riders, (Graça e seu esposo Roberto, e Belarmino) que nos deram as boas vindas, levando-nos para conhecer toda a cidade, ali ficamos por mais dois dias desfrutando as maravilhas de Natal. Em seguida rumamos para João Pessoa capital da Paraíba, onde novamente fomos recebidos pelos irmãos riders. conhecemos cabedelo e lá vimos o por  do  sol mais belo da viagem agraciados pelo som de um sax maravilhoso. No fim da tarde, o pôr-do-sol ao som do bolero de Ravel, na praia fluvial do jacaré, é um verdadeiro espetáculo, contemplado todos os dias por centenas de pessoas.

     Seguimos viagem para Recife, passamos por Olinda e desfrutamos as belezas da cidade, um patrimônio cultural inigualável, conhecemos as belezas de Recife e fomos direto para porto de galinhas, onde ficamos por mais dois dias, Descansando e apreciando as belezas do lugar.

 

     Saímos com destino a Maceió, chegamos à tarde, e fomos recepcionados pelo casal de amigos Sérgio Vaz e sua esposa Eliane, desfrutamos da sua hospitalidade por dois dias, e conhecemos as belezas da cidade, seguimos viagem pela manhã do terceiro dia com destino a Aracaju, onde fizemos uma breve parada. Dois dias após retomamos a viagem seguindo pela linha verde com destino a Salvador. A linha verde é considerada uma das mai s belas rodovias do país, é simplesmente lindo, enche os olhos de tanta beleza, vastos coqueirais, o verde azulado do mar, tudo na mais perfeita sincronia com a natureza.

     Em Salvador fomos recebidos pelo irmão BR’S, (Chico). Salvador foi uma das capitais que mais tempo ficamos, ali pudemos revisar as motos, descansar, conhecer vários pontos turísticos, saborear a culinária inigualável da Bahia e aproveitar belas praias. Tudo se vê e se prova na Bahia, uma terra de magia e encantos.

      Ficamos hospedados por alguns dias na casa dos meus primos Robinho e Adriana em Lauro de Freitas, e após seis dias de descanso, pegamos a estrada com destino a Palmas no Tocantins. Nesse percurso o sol castigou muito nossa pele, o sertão baiano é muito precário e ali a necessidade de sobrevivência faz com que você seja realmente forte e determinado. Uma das belezas do local é a chapada diamantina, um verdadeiro oásis nesse sertão desértico.

     Chegamos a Palmas após dois dias de viagem, fomos recepcionados por amigos (Família Variani) e desfrutamos a beleza e o calor da mais nova capital da federação. Uma cidade planejada, promissora e aberta á todos que desejam uma oportunidade.

     De Palmas seguimos para Goiânia, onde os irmãos BR’S (Marchetti e Ricardo) novamente nos recepcionaram, uma breve passagem por Goiânia e no dia seguinte seguimos para Brasília onde participamos do nono encontro motociclistico nas proximidades do estádio Mané garrincha. Fomos recebidos pelo irmão BR’S(Raimundão),e Ali fomos agraciados com um troféu pela iniciativa, coragem, determinação e ousadia em realizar tamanha façanha.

     Seguimos no dia seguinte para Belo Horizonte, nesse trajeto que fizemos em dois dias, em virtude de a estrada ser muito sinuosa, descobrimos belezas raras, que fazem parte da história do Brasil. fomos recebidos em Belo Horizonte pelo irmão Lindemberg (bodes do asfalto) e ficamos alojados na sua casa por dois dias desfrutando das belezas de Belo Horizonte e de uma cachaça autêntica de Minas Gerais. Seguimos dali para Vitória no Espírito Santo, onde novamente fomos recebidos pelos irmãos riders (Fábio, Anselmo, Boró, Geraldo e Biffi) e por ali ficamos por mais dois dias aproveitando as delícias e belezas da capital capixaba. Em seguida rumamos para o Rio de Janeiro. Nesse percurso a  chuva já começou a  castigar e dali em diante até  o  final da expedição seria  a  nossa companheira constante nos caminhos  do Brasil.no Rio de Janeiro fomos novamente recebidos e  acomodados pelos irmãos BR’S,(Formigão e Dennis)fizemos um tour pela  cidade maravilhosa de  dois dias e  em seguida fomos para Volta Redonda a cidade do aço,onde nos  encontramos  novamente com os  irmãos Falcões de  Aço e  ali permanecemos por mais  cinco dias desfrutando da  sua  hospitalidade e  aguardando  o  encontro de motociclistas realizado por  eles.

     Novamente na estrada com destino a São Paulo, fizemos uma breve parada em Aparecida, para pedir as bênçãos de nossa senhora padroeira do Brasil e dos motociclistas. Chegamos á capital paulistana debaixo de uma forte tempestade e fomos recebidos já na entrada da cidade pelos irmãos riders (Carlinhos e Beto Sampa) e em sua companhia permanecemos mais três dias, conhecendo as belezas da capital paulistana, que são muitas. No inicio do quarto dia descemos a serra passamos por Santos, e chegamos á Curitiba, capital paranaense, o trajeto foi quase todo percorrido novamente debaixo de muita chuva. Em Curitiba onde fomos recebidos pelos irmãos BR’S e pelos bodes do asfalto (Leonel, Robson e Maçaneiro), participamos de um passeio moto ciclístico até Vila Velha, em comemoração ao aniversário do corpo de bombeiros do Paraná. Permanecemos na capital Paranaense por três dias e seguimos para Florianópolis, a capital catarinense. um breve tour pela  ilha e  fomos para Palhoça onde fomos  recebidos e desfrutamos da  hospitalidade do grande motociclista “gau” fundador  do Brazil Riders .     “gau” já percorreu o mundo de motocicleta e tem mais de um milhão de km rodados em cima de uma motocicleta. ( Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.). Este por sua vez nos parabenizou pela coragem e ousadia em realizar tal façanha, e nos incentivou para que não parássemos de viajar.

     De Palhoça seguimos com destino a Porto Alegre, mas não sem antes subir a tão temida e famosa serra do Rio do Rastro próximo á São Joaquim. Chegamos a Porto Alegre na tarde de um domingo percorremos a capital e seguimos para Pelotas onde próximo dali pernoitamos e no dia seguinte bem cedo rumamos com destino ao Chuí.

     Chegamos ao Chuí, o ponto extremo ao sul do país, ficamos por ali mais dois dias registramos nossa passagem e voltamos para o interior do Rio Grande do Sul, agora com destino á Campo Grande, nossa última capital antes de chegar a casa. O frio e a chuva já haviam nos castigado bastante e o cansaço agora era visível, em Cascavel meu parceiro de viagem por motivos alheios a sua vontade teve que seguir viagem.       Permaneci mais alguns dias matando a saudade dos pais, amigos e familiares, fui recepcionado pelos irmãos Riders e Cobras do Asfalto, Jair Duarte, fadanelli, Miguel Persch e muitos outros e no final de uma semana segui para Campo Grande-MS. Ali chegando, fui recebido pelo meu grande irmão motociclista Major Moura, integrante do moto clube Falcões de Aço - RJ registrei a passagem e fui pescar no pantanal a convite de um velho e grande amigo Sidney Dal Bosco, permaneci em seu rancho no pantanal por mais de uma semana. pude relaxar,descansar e  curtir boas pescarias em companhia de grandes amigos.

     No dia 05 de novembro sai de campo grande debaixo de uma forte tempestade e cheguei a casa por volta das 17hs, percorrendo assim aproximadamente 30. 000 km, nos caminhos do Brasil, do Oiapoque ao Chuí. Foram 118 dias de emoções, saudades, lagrimas e sorrisos, amigos e mais amigos, uma experiência impar sem igual que todos deveriam um dia experimentar, ao menos que fosse uns poucos quilômetros, mas deveriam.

      O trajeto todo foi feito com duas motos falcon (Honda)nx400cc, que na minha opinião são as melhores máquinas para qualquer tipo de estrada e aventura, principalmente se tratando de uma viagem tão longa, as motos superaram a expectativa e vencemos as distâncias e as dificuldades apresentadas, é realmente lastimável que a Honda tenha descontinuado sua produção, esperamos que repensem e analisem e que possam num futuro próximos trazê-las de volta. Obrigado á todos os irmãos motociclistas, aos amigos, colaboradores, patrocinadores e familiares, que direta ou indiretamente colaboraram para que a expedição tivesse o sucesso almejado.
     As peripécias dessa aventura estão relatadas no livro, ”NA SOLIDÃO DO MEU CAPACETE... A VIAGEM” que espero publicar em breve tão logo consiga patrocinadores, abaixo o prefácio da obra.

PREFÁCIO DO LIVRO.

                                   Na Solidão Do Meu Capacete... A Viagem. 

     Arrumo a bagagem, faço uma breve oração pedindo proteção ao pai divino, antes de ligar o motor converso com a minha moto, trato-a como um cavalo manso e dócil, e peço-lhe que me leve longe, muito longe... Na garupa leve do vento macio, sempre no mesmo passo, como um sonho bom. Ligo o motor, um ronco suave e ritmado, me remete á pensamentos mais íntimos, e permaneço ali por alguns instantes imerso em minhas lembranças e devaneios, afivelo o capacete, acelero a moto e pego a estrada. É sempre bom descobrir novos ares, sair do lugar comum, ou simplesmente rever lugares que já conhecemos abraçar velhos amigos que á tempos não vemos, e fazer novos amigos sem distinções, deixando pelos caminhos amigos sorrisos e valores e trazendo comigo também, amizades, sorrisos e valores, talvez resgatados em uma memória esquecida pelo próprio tempo, e para quem acha que cada viagem é única e se torna inusitada, concordo plenamente, é muito bom partir para uma longa viagem, porém, é melhor ainda, retornar ao "seio do lar", dos nossos familiares e amigos e da nossa bela cidade de primavera do leste, trazendo na bagagem novas experiências, novos sentimentos, novos amigos, novos amores e muitas saudades. Uma longa viagem pode mudar a cabeça da gente, e muda.   

     Adquirimos com ela várias experiências, muitas delas sensoriais, outras apenas no silêncio dos pensamentos perdidos, alheio a quase tudo, pilotando a moto sozinho, ali na solidão do meu capacete vou mentalizando e escrevendo meu livro, já envolvido antecipadamente pela atmosfera do inusitado, do imaginário, do novo e da mudança. Vou fazendo uma reforma intima em meus pensamentos, buscando o porquê de tantos erros e acertos, de tantas idas e vindas, tantos relacionamentos desfeitos, tantos amores que se foram tantos porquês... Uma longa viagem rumo ao desconhecido, alcança lugares muito mais remotos que um imaginável continente longínquo, fazer uma longa viagem é antes de mais nada, fazer uma jornada para dentro de nós mesmos, visitando o nosso próprio ego. Fazer uma longa viagem não requer na bagagem, apenas produtos de higiene, comida ou vestimentas, mas sim um espírito forte, determinado e necessitado, buscando algo mais para a sua realização plena, e quem sabe descompromissado e cheio de expectativas quanto a tudo o que vive fora da sua vida habitual e do seu cotidiano, além de ensinamentos que consegue reconhecer nas pequenas coisas, como o aroma exalado por uma flor exótica, adormecida pelos raios de um pôr-do-sol mental, a remexer todos os cantos possíveis da alma sonhadora do viajante... Uma paisagem paradisíaca, única talvez... Uma noite de luar, onde somente a lua é a nossa companhia constante... O frescor do vento acariciando o rosto, e purificando a alma do viajante por completo... Um sabor inigualável de uma especiaria rara, experimentada em algum lugar distante... Uma vida que parece passar rapidamente no movimento daquele que vai... O som suave da saudade simples, serena e sincera, abafada apenas pelo ronco do valente motor da motocicleta, mesmo diante da explosão de vontade nessa busca desmedida de quem trilha um caminho solitário...

     Quem viaja sente tudo tão perfeito e experimenta a grandeza de poder questionar: o que busco? O que faço quando encontrar? E se não encontrar? A poesia presente na vida fica mais clara, a presença de DEUS fica mais forte e marcante, o universo nos envolve por completo, a liberdade abre suas asas sobre nós, o cuidado e o carinho com as pessoas ganha um novo significado, ficamos mais emotivos, a consciência dos erros e dos acertos também aflora na alma.

     Quem viaja, sente-se despojado dos laços que o prendem a compromissos, obrigações, e horários, e tem a certeza de voltar, nunca ao mesmo ponto, nunca do mesmo jeito, mas tem a certeza plena de voltar renovado, reconhecível, somente em suas mais primitivas características. Quem viaja, vai e fica deixando a si mesmo no destino final. Contudo, a viagem será sempre necessária enquanto houver caminhos, enquanto os ventos que açoitam nossos cabelos forem favoráveis, enquanto for desejada, enquanto houver sonhos e estradas a serem percorridas, pois os sonhos não envelhecem nunca; e enquanto houver lugares a serem descobertos e amigos a serem conquistados, enquanto houver uma realidade plena, enquanto houver vida e um espírito pulsante dentro de um corpo aventureiro, enquanto ainda houver um motociclista aventureiro apaixonado pela vida e apaixonado por viver.

     Viajar é viver, no sentido verdadeiro da palavra, viajar é não morrer, pois quando de mim não mais restar à matéria, restará ainda pelo menos um pouco do meu espírito aventureiro e algumas lembranças a serem revividas na memória longínqua da saudade.

"essa é a minha vida e por mais que eu teime não sairei vivo dela, portanto quero vivê-la intensamente e não apenas existir, não quero passar por ela em brancas nuvens sem nada realizar de grandioso ou algo de que eu possa ser lembrado e, até quem sabe fazer com que alguém sinta orgulho do meu feito, sem ao menos eternizar na memória daqueles que me amaram uma lembrança saudosa da minha existência aqui na terra”. (Damasceno).

Quinta, 06 Dezembro 2018 17:29

Uma viagem sempre se inicia por um sonho !

Diário de bordo de viagem realizada por nove estados Brasileiros (RS, SC, PR, MS, MT, GO, DF, MG, SP) de 21/07 a 04/08/2010.

Uma viagem sempre se inicia por um sonho! Desta forma, a mais de ano nasceu o sonho de conhecer e explorar locais mundialmente reconhecidos como maravilhas da natureza e que estão aqui no nosso Brasil, tais como: BONITO – MS, CHAPADA DOS GUIMARÃES – MT, RIO ARAGUAIA, na divisa de MT e GO. Também era nosso desejo, participar do 7º MOTO-CAPITAL em Brasilia – DF, para reencontrar amigos que comungam do mesmo gosto pelo mototurismo. Logicamente tudo isso como uma justificativa aceitável para rodar de MOTO e promover o 14º MERCOCYCLE (08 a 10 de outubro e 2010 em Santa Maria www.gauderiosdoasfalto.com.br).

O primeiro passo foi convidar parceiros que se parecessem conosco, no gosto pela moto-aventura, parceria, seriedade, amor a família e responsabilidade; Acertamos em cheio, são eles:

Cleber Winckler da Silva            YAMAHA TDM 900

Luiz Fernando Jaques Cunha       SUZUKI Vtrom 1000

Milton Luiz Moraes de Andrade              SUZUKI Vstrom 1000

Vitor Hugo Dal Molin                   YAMAHA Fazer 600. 

Assim sendo, no dia 21 de julho 2010, as 06 h e 45 min no Posto Dutra, tendo por primeira testemunha o nosso amigo Renato Lopes (que foi dar uma forcinha na saída, ou se certificar que nenhum ia desistir). O clima era chuvoso e frio, numa segura demonstração de Deus que seriamos pequenos na empreitada e teríamos de levá-lo junto em nossas orações, o que “de pronto” o Andrade puxou a oração, pois não somos “bobos nem nada”.

Nossa primeira “pernada” foi até Toledo PR. A chuva que nos acompanhou até IRAI RS, não chegou a fazer baixa, mas que “assustou, há isso assustou”, pois a estrada de Seberi - RS até a fronteira do RS e SC está em estado lamentável, e mais o tráfego intenso de caminhões completou o “angu”  ...he he he.

Na passagem pelo rio Uruguai o sol deu as caras e o frio também. Após um bife com salada na terra dos Cães do Asfalto e do famoso MOTOCÃO em São Miguel do Oeste. Chegamos às 19 horas a Toledo - PR diretamente na residência de meus tios Neuza e Aldo Copetti, conforme havíamos planejado. Aqui um registro especial: O “gaúcho veio”, natural de Santo Ângelo RS estava esperando na frente da casa com a cuia do mate na mão, faceiro “que nem pinto na quirela” e a minha tia, juntamente com a prima Magale, estava aprumando uma galinhada daquelas, que nos faz lembrar até hoje de tão boa. Uma surpresa que nos marcou foram às presenças dos primos José (salário) Copetti  a sua esposa Tutti e os filhos (Gabriel e Martha), o Roque juntamente com os filhotões, bem como o Evandro, esposa e filhos João e Mariana, dando uma dimensão especial aquele momento e nos fazendo ver o amor e a força da família. Valeu meus tios queridos!

No dia seguinte, acordados pelo tilintar dos talheres do café que se fazia, e pelo cheiro do chimarrão especial, fomos montando as tralhas e nos preparando para a partida. Registro aqui a presença de meu primo Salário (mas que apelido lhe deram aí hem primão!), que veio dar força na saída que ocorreu logo após o café preparado com muito amor pela tia Neuza. Rodamos 90 km de forma rápida e parecia que chegaríamos “cedinho da tarde” em Bonito - MS. Mas eis que encontramos uma cerração, daquelas de não ver nada, “nem presente e nem futuro”;  A saída foi grudar num caminhão e deixar a estrada rolar, e assim  fizemos por 80 km, nos deixando bastante estrassados, molhados com frio e fome. Quando chegamos a Dourado -  MS concluímos que valeu a nossa persistência, pois tivemos a oportunidade de ver e fotografar o rio Guaíra, bem como a ponte Airton Senna (graaaande Airton!). Passamos rapidamente pelas cidades de Maracaju e Jardin, e finalmente estávamos a 60 km de Bonito, quando paramos para fazer os devidos registros nas placas indicativas. Na chegada fomos recepcionados pelo Jean, filho do nosso amigo Peralta (POUSADA DO PERALTA Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.), recebendo aquele carinho que se estenderia por todos os dias em que por lá ficamos.  As sugestões e organização apresentadas pelo Peralta foram determinantes para o sucesso de nossa estada. Gostaríamos de registrar a facilidade do voucher único implantado em Bonito. Definimos os passeios e o Peralta fez toda logística, inclusive disponibilizando o seu FIAT UNO (TransPeralta), para que melhor aproveitássemos. Visitamos o balneário municipal, onde pudemos verificar a riqueza subaquática existente no local, principalmente pelas espécies de peixes (me fez pensar que estive por toda a vida pescando nos lugares errados - brincadeirinha né! - tal a quantidade de piraputanga e dourado existente no local). Após fomos a Fazenda Rio da Prata, um santuário, com local de recuperação e preservação da mata amazônica, nascentes de rios maravilhosas, onde praticamos a flutuação e mergulho, além do contato com uma natureza privilegiada. Neste momento não imaginávamos que a atividade a seguir seria ainda mais marcante, a descida do Rio Formoso de bote. Foram momentos de boas gargalhadas e muita energia positiva, juntamente com turistas de várias partes do mundo, nos transformando em verdadeiros Indiana Jones.

A segunda fase da viagem (BONITO a CUIABÁ) se iniciou no dia 25/07, pontualmente as 07 h, após o provincial café da manhã organizado pelo Peralta. Após muitas conversas com conhecedores destes locais, decidimos mudar um pouco o roteiro, indo em direção a Sidrolândia, mas infelizmente o “GcleberPS” falhou, erramos uma quebrada e acabamos em Aquidauana a 130 km de Campo Grande. Ajustado o novo roteiro conhecemos uma face diferente das situações vivenciadas até então; Pessoas totalmente despreparadas para dar qualquer informação, nem a próxima cidade eles sabiam o nome e nos passando informações confusas, tais como não existir postos de combustível no trajeto até Coxin (250 km distante de Campo Grande). Desta forma formos forçados a entrar em Campo Grande onde perdemos mais de 1 hora para retornar ao roteiro inicial. Retomada a estrada chegamos a Rondonópolis. O estresse já tomava conta do grupo, pois a noite havia chegado e o cansaço também (o radicci digo Dal Molin já estava vermelho! K k k). Assim nos hospedamos na Pousada Real, flor de hotel. Após rápido banho estávamos prontos para conhecer a cidade, o que fizemos de taxi indo diretamente a uma pizzaria tradicional. Desta forma pudemos sentir um pouco do clima da cidade, que tem muitos sulistas e guarda os mesmos hábitos de cidades do interior do RS, principalmente em ficar girando de carro ao redor da praça (bobodromo), muito interessante! Além disso, o nosso choffer era um caso a parte, totalmente “dadinho”, mais um pouco nos deixava mal pelas sugestões que apresentava; Acredito que nos confundia com os “turistas vereadores” deste Brasil afora.

No dia seguinte CUIABÁ - MT. A estrada que liga Rondonópolis a Cuiabá demonstra a pujança deste país. Olha-se de um lado SOJA, de outro SORGO, mais adiante CANA DE AÇUCAR, mais além ALGODÃO e assim vai até Cuiabá. Também verificamos muitas obras de infra-estrutura rodoviária, o que seria muito comum nos estados de MT, GO e SP. Nossa chegada se deu de forma tranqüila e seguindo o GP ...deixa prá lá! Chegamos diretamente no Hotel Veneza, onde previamente já havíamos realizado reservas. Casualidades existem e ao lado do hotel havia uma revenda da Yamaha e seu proprietário nos recebeu de forma muito amiga, providenciando a lavagem e abastecimento das máquinas (que estavam em situação de penúria!). Deixamos aqui um agradecimento ao ISAC DA SILVA da MOTOFORTE que tem em sua logomarca a frase: “50 anos com você, mais 50 anos para você”, que tal isso! Esperamos visitá-lo novamente ou recebê-lo aqui no Sul para retribuir a forma como nos recebeu em Cuiabá MT.

Após estarmos devidamente alojados, fomos procurados pelo motociclista JORGE ABECH “índio velho” do ramo automotivo, dos Bodes do Asfalto, que nos alegrou até a entrada da noite, quando caminhamos pelo bairro para conhecer um pouco da cidade. Logo mais fomos para a casa dos Demenegui, meu padrinho Ernesto Demenegui, e a prima Loreci (brilhante empresária e jornalista), com suas filhotas, Kassira (Psicóloga) e Thiana (Designer e RP).  Reencontrar a família é tudo de bom! Chegaram os primos José Luiz (Zé), a Ana sua esposa, filhos João Pedro e José Luiz. Interessante que sempre tem algo “sui generis” nestas viagens, desta vez não seria diferente. O Zé primo teria sido colega de aula do Andrade lá em Santo Ângelo RS, e havia uns 35 anos que não se viam e nem imaginavam que estariam frente a frente em Cuiabá, ficou bonito! Enquanto isso a Lori se esmerava em fazer aquele pintadinho delicioso, acompanhado de várias delicias de “quem sabe fazer”, assessorada pela filhota Kassira, momento este que mereceu um violão e algumas músicas para mostrar o potencial da turma (o DVD sairá em breve!). Após fomos para o ARMAZEN DO SABOR, local requintado da noite Cuiabana, que através de sua “segunda sem lei”, fez a gurizada delirar, me fazendo “recolhê-los” para o Hotel. No dia seguinte, já devidamente motorizados com o Toyota da Ana (OBRIGADO ANA!), fomos para a Chapada dos Guimarães. Aqui um registro: Não fosse o ponto turístico Véu da Noiva estar fechado para visitação, em plena terça-feira e não termos sido avisado, o passeio teria sido muito mais apreciado, não só por nós, mas também por dezenas de turistas recifenses que também bateram com a cara na porta. Sugiro aos responsáveis darem uma olhada nisso, pois falta informação nos hotéis de Cuiabá, além de mapas. Tirando isso o local é lindo, maravilhoso e nos faz pensar o quão pequenos somos diante de tamanha maravilha.

À noite chegando e fomos visitar os empreendimentos da família, a exemplo do Armazén do Sabor, o PUMP Chopp Grill    www.pump.com.br , um local muito apreciado pelos cuiabanos e cuiabanas, que logicamente tem bom gosto. Após fomos novamente para o Armazen do Sabor onde fomos brindados pela casa com um carneiro assado pelo GAÚCHO lá radicado a mais de 20 anos, regado a um chopinho “no ponto”......êta vida boa!

Saímos de Cuiabá no clarear do dia, rumo a Barra do Garça. Em uma pilotagem segura e atenta passamos pela cidade de Paredão, e infelizmente vimos muita mata do cerrado queimada ou queimando, o que é comum nesta época do ano. Chegando ao nosso destino nos hospedamos no Araguaia Palace, onde pudemos curtir um pouco da culinária da região, bem como nos deslumbrar com o rio Araguaia, tão importante para aquela região do nosso país. REGISTRO: Em frente ao hotel havia um barzinho com um telão, onde os São Paulinos de preparavam para assistir o jogo INTER x SÃO PAULO - Copa Libertadores. Me fardei da “cabeça aos pés” e me misturei, acompanhado dos parceiros lógico (Andrade – Coloradão também, Cunha e Dal Molin – gremistas - o Dal Molin sumiu logo  he he he ). O inter ganhou o jogo, para desespero dos São Paulinos e não pude deixar de pensar no meu padrinho Ernesto Coloradão. No dia 29 partimos para Brasilia -DF onde encontraríamos nosso fraterno amigo Remi Toscano (que infelizmente nos desencontramos), e participar do MOTO-CAPITAL, encontro organizado pela Irmandade Estradeira www.irmandadeestradeira.com.br  onde confraternizamos com amigos fraternos que a tempos não víamos, além de uma bela confraternização com a Irmandade estradeira e com os Bodes do Asfalto de várias cidades deste grande país. Aproveito para registrar a força dos amigos BRAZIL RIDERS www.brazilriders.com.br. Ao Rogério Torres, Master de Brasilia, pela logística, ao Jair Duarte e  Marlos,  Masters do Paraná, é assim que se fortalece uma grande irmandade.  Também era proposição encontrar o Gaudério Bira com sua família, para fazermos uma programação especial junto com os familiares do Renato Lopes que residem em Brasilia e Samambaia, bem como o Beto e a Graça ( O Beto foi nosso condutor pelas ruas de Brasilia). Os irmãos Lopes tem sido nossos anfitriões assíduos por lá....he hehe. Na noite do dia 30 fomos para a casa do PAULO RENAN LOPES (OBRIGADO RENAN!), que preparou juntamente com a esposa Kátia, um churrasco e dar “água na boca” só em pensar. Também estavam por lá o Lari e esposa, que foram matar a saudade dos amigos. Lá pelas 21 horas chegou o BIRINHA e família, claro que o deixamos para fora da casa, adentrando apenas a Rose e filhotes, para “incomodar” chegava nós   k k k.

No dia 01/08 deixamos Brasilia para trás e nos largamos na estrada. Após um dia batidinho de pilotagem chegamos a LINS - SP, adiantando em 120 km nosso roteiro, que seria de pousar em São José do Rio Preto. Claro que na chegada em LINS pintou aquela dúvida e passamos pela cidade, nos dando conta quando já estávamos em direção a Marilia. Não fosse termos pago duas vezes o pedágio (para passar e voltar) nem lembraríamos hoje deste fato. A noite, após um bom banho, deu uma vontade enorme daquele churrasco Gaúcho. Como pensamento aproxima olhamos pra frente do hotel e eis que surge uma CHURRASCARIA GAÚCHA -PAMPEANA. Uma picanha por favor!

No dia seguinte partimos em direção a Ourinhos - SP, na chegada o tempo “deitou uma chuva no lombo, daquelas que o pingo mata pinto”, além do frio e serração. E assim, após a despedida do Andrade, que há dias só chorava a falta da Janete que o esperava em Camboriú - SC, nos arrastamos até União da Vitória – PR, diretamente para o calorzinho aconchegante do Hotel Nota DEZ (muito bom!).

 Quando acordamos sabíamos que aquele seria nosso último dia na estrada. Após uma breve ligação para a minha mana Cleusa em Passo Fundo (alguém tinha de fazer o sopão do meio-dia), e nos largamos na estrada. Quando chegamos em Erechim (que deveria ser com X e não CH...he he he) causávamos surpresa até nos frentistas dos postos de combustíveis, pois o vento era FRIO e ardido e eles próprios estavam atendendo de luvas e com um tição de lenha acesso no bolso (barbaridade!). Chegando a Passo Fundo e deu um tempinho para curtir minha mana, e novamente estrada com o pensamento em nossos amores, esposas, filhos e filhas que estavam ansiosos a nos esperar. Na entrada de Santa Maria tiramos uma foto para finalizar e nem nos olhamos mais. Ficou aquela sensação de VIAJAR É TUDO DE BOM.

        Cleber Winckler da Silva

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Terça, 26 Outubro 2010 11:29

Viagem a Província de Neuquén (AR)

RELATO DE VIAGEM À PROVÍNCIA DE NEUQUÉN - ARGENTINA

(26/10/2010 a 16/11/2010)

(Muito mais “crônicas de viagem” do que “relato”)

 Por Jordan Wallauer

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                                                                        P ilotar moto, isto foi o que decidi aprender quando fiz 60 anos, pois até então só sabia andar de bicicleta. Assim, meu presente aniversário e de Natal de 2008 foi uma Yamaha YBR 125cc, com a qual rodei exatos 550 km para aprender alguma coisinha sobre motos. No Natal de 2009 troquei esta moto pela Honda XRE 300cc, que carinhosamente chamo de La Negra, com a qual rodei 1.000 km (dois tombos incluídos, um bem doloroso) para fazer a primeira revisão, após o que viajei, em abril de 2010, para Montevidéu, acompanhando meu irmão Jonas, que tem uma XT 660. Pronto, isto bastou para me viciar nesta coisa de viajar, fazendo parte da paisagem e não ficar vendo a paisagem pela janela do carro, como diz o Cícero Paes.

 Logo após a viagem à Montevidéu começamos a planejar, para outubro/2010, uma viagem à Cordilheira Argentina, entre Bariloche e Mendoza. Ao Norte de Mendoza e ao Sul de Bariloche já havíamos viajado de carro e conhecíamos razoavelmente bem. Iríamos, os dois irmãos, de moto e as esposas de carro ou avião para nos encontrar em Chos Malal. Jonas, entretanto, teve que ser submetido a uma cirurgia de redução de hérnia e Martha, minha esposa, precisou acompanhar, no Rio de Janeiro, uma irmã que também teve problemas de saúde. Adiei por duas semanas a viagem à Argentina, tendo ido ao Rio, solidário com a cunhada. Assim que tudo entrou na normalidade retomei os planos e, mesmo sem perspectiva de ter companhia, dei início à viagem, no dorso de La Negra.

 Saí de Urubici, desci a Serra do Rio do Rastro e rumei ao Sul. Pernoitei em Arroio dos Ratos, RS, cidadezinha que conheço faz muito tempo, na época em que devia ter uns 2.000 habitantes que viviam em casinhas espalhadas em uma área enorme. Um gritava e o vizinho não ouvia. Diziam que usavam rojões para se comunicar. Nem todos, é claro: o padre usava o sino da igreja! Hoje são uns 14.000 habitantes ainda bem espalhadinhos, mas já não precisam gritar alto para serem ouvidos pelos vizinhos.

No tempo dos 2.000 habitantes as casas tinham cercas baixinhas, suficientes para demarcar a área de cada um, algumas com roseiras, dálias e buganvilles e eles viviam e morriam com tranquilidade e segurança. Não mortes sem sofrimento, pois em zona de mineração de carvão, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina ou na Inglaterra, aí pelos anos 70, se morria muito de pneumoconiose, mas não com medo de assalto, assassinato, drogas e traficantes. Tá certo, alguma concessão para brigas de bêbados, e consequentes facadas, em carreiras de cavalos; ou lavação da honra nos casos de traição.

                                                                             N os dias atuais, dos 14.000 habitantes, as casas estão todas cercadas por aramados e grades de mais de 2 metros de altura, algumas com arame farpado, e fios eletrificados acima disto, como substitutas para as flores. Não se morre mais de pneumoconiose, mas de infarto, de stress, e se vive com depressão, com nó na garganta e com a Espada de Dâmocles do medo de assalto, etc. sempre pendendo sobre a cabeça! Acho que é por isso que escolhi morar em Urubici, SC, cidade que me lembra de um Rio Grande onde nasci e cresci, sem medos, e que parece não mais existir.

Cheguei de moto, após meus primeiros 1.000 km, em Livramento, RS, na fronteira mais irmã que existe, onde fui devidamente acolhido pelo Kojak, irmão Brazil Rider, que em pouco tempo providenciou o seguro Carta Verde, troca do bagageiro por uma base de verdade para o bauleto (a original da Honda, de plástico, só tem efeito decorativo) e hospedagem... em um motel, porque os hotéis estavam lotados. Todo mundo parecia ter ido à Livramento/Rivera, com a proximidade dos feriados, para fazer compras.Se eu pedisse aos BRs da área, até companhia para desfrutar o pernoite no motel eles acabavam providenciando!! Os BRs de Livramento, Kojak e Ronaldo (Mutukão), são super- hospitaleiros!

No dia seguinte tomei o rumo de Colonia de Sacramento, no Uruguai. Fui parado por conta de uma tempestade e acabei dormindo em Rosário, a 50 km de Colônia. Chuvas torrenciais a noite toda antecederam um dia claro e ensolarado, que permitiu chegar cedo em Colonia, a tempo de embarcar no Buquebus da 11:30hs para Buenos Aires. Atravessei Buenos Aires com um vendaval tentando me tirar da autoestrada que leva a Ezeiza, que só amainou perto do aeroporto internacional. Acabei rodando até Saladillo, cidade plana, agradável, onde fui muito bem acolhido por Omar e sua esposa Chuchi, no Hotel Trafful. No dia seguinte, pilotei até General Acha, na entrada do chamado “Deserto Argentino”. General Acha e uma cidade bem bonita, de ruas muito largas, sem um só prédio de 3 andares; no máximo algum sobrado. As casas tem canteiros com rosas imensas, parecidas com aquelas importadas da Colômbia que vendem nas floriculturas brasileiras, só que de varias cores.

Em Gen. Acha, ao final da tarde dos domingos, todos os meninos(as) e adolescentes da cidade, às centenas, saem para as ruas, param nas esquinas para paquerar e encontrar amigos, percorrem a avenida principal a pé ou em motos... centenas delas e de todos os tipos, predominando as chinesinhas entre 100 e 200 cm3 e quadricíclos. Eles por baixo e centenas de papagaios barranqueiros por cima, vindo das áreas agrícolas para dormirem nas antenas de televisão que, por força da planície, tem que ser construídas sobre torres e hastes bem elevadas, protegidos de predadores pela urbe. As antenas se transformam rapidamente em cabides de psitacídeos gritadores, que concorrem em ruído com a zoeira das motos.

Desde que sai de Livramento/Rivera viajei com fortíssimos ventos laterais. Sempre imaginei que fossem de ocorrência frequente nessas regiões tão planas, mas não tão intensos a ponto de fazer a moto andar em S todo o tempo, pelo menos a cada vez que o velocímetro marcava qualquer coisa acima de 80km/hora. Ao ver, entretanto, o noticiário na TV, notei que o vendaval que assolou a Argentina teve quase tanta ênfase quanto o enterro do Nestor Kirschner, cuja morte ocorreu uns dias antes. E foram muitos os acidentes, e mortes, provocados pelo vendaval! Por falar no assunto, escutei no noticiário que os políticos daqui estavam se fazendo “preguntas interrogativas” sobre como será o governo de Cristina sem a presença de Nestor Kirschner. A expressão, a principio redundante, só tomou sentido quando comecei a meditar sobre ela. A partir de então resolvi adotá-la em português também, por que entendi que ha perguntas simples, como “Tu podes me dizer que horas são?”; e há perguntas interrogativas, que botam a gente na parede, como “Tu podes me dizer o que fazias entre 20 e 24 horas de ontem?”

De Buenos Aires ate Gen. Acha a paisagem, monótona, alterna, na primavera, planícies de trigais ceifados ou por ceifar, terras aradas para serem semeadas com milho, girasol e soja, pastagens repletas de gado que no Brasil só se vê em exposição. O gado tipo exposição deles eu nem imagino como seja! Uma coisa, entretanto, eu posso afirmar, baseado na experimentação quase científica (faltam mais umas 1000 amostras para chegar ao caráter científico, mas eu chego lá!): o gado é ótimo, “sea a la parrilla o a la plancha!”

                                                                                   C heguei enfim em Chos Malal, depois de 2 dias de travessia do deserto, uma savana arbustiva, atravessada por uma perfeita estrada compostas por 10 ou 12 retas interligadas por curvas tão suaves que a mão do motociclista não muda de posição para contorná-las. A monotonia, entretanto, é tal que a gente começa a divagar e facilmente perde a capacidade de manter algum tipo de atenção no asfalto. Num desses momentos acreditei ter visto homens a cavalo no meio dos arbustos, à margem da estrada. Logo após, La Negra começou a oferecer resistência ao acelerador e me fez parar... parar e retornar.... para certificar-me de que não se tratava de alucinação. De fato haviam dois homens montados nos cavalos criollos mais lindos que já vi, e conduzindo outros 3 cavalos magníficos carregados de malas de garupa. Eram trabalhadores campesinos que se deslocavam para Aluminé, onde havia trabalho com gado nesta época do ano. Estavam percorrendo 1.000 km e o faziam como a coisa mais normal deste mundo! Tirei uma foto de La Negra com os cavalos e cavaleiros e juro, não foi alucinação (ou foi?) do deserto, ela deu uma piscada para mim!!

Visões maravilhosas, depois de tanta aridez e calor: no meio do caminho um vale (com duas ou três cidades, entre elas 25 de Mayo) muito verde, arborizado, produzindo muitas maçãs e com muitos vinhedos (Bodega del Fin del Mundo, Saurio, etc,). Ao final deste verde pode-se seguir por asfalto até Zapala e de lá ir a Chos Malal. Encurtando o caminho em uns 300 km há uma alternativa (Ruta Prov. 6), com cerca de 80 km de terra e rípio, que conduz a Chos Malal por Rincón de los Sauces. Uns 80 km antes de chegar em Chos Malal jás se vê o vulcão El Tromen, com seu desafio de 3.450 metros de lava e gelo.

Chos Malal é uma cidade de 20.000 habitantes, muito agradável, bem arborizada e relativamente protegida dos ventos que constantemente sopram. Não é à toa que a serra que a envolve se chama Cordillera de Viento. Por ela passei, rodando a 40 km/hora, e quase sendo derrubado em cada curva, na passagem para o vale do Rio Curi-Leuvú.

 Me hospedei na Hostera La Farfalla. Beleza de lugar com ares extremamente rurais, com galinhas e gansos nos jardins, a 8 quadras do centro da cidade. Alberto, sua esposa Fitty e o filho Francisco são muito hospitaleiros! O banho foi daqueles de meia hora. A janta, perfeita, preparada pelo Sr. Alberto (que já trabalhou em cattering na Branif International), foi lagarto ao forno com batatas doces e abóbora, mais presunto cru (tipo presunto de Parma), queijo regional e palmitos do Equador com molho golf. Vinho de San Juan, Callia Alta siraz-bonarda, sem complicações e perfeito para acompanhar a carne. Encerramos com uma dose de Johnny Walk 12 anos, cortesia de D. Alberto. "Dormi como un angel! ": Nem tive pesadelos com os 80 km de estrada de rípio, com ventos laterais de 40 a 50 km/hora, que percorri através da área de exploração de petróleo e gás (a riqueza do deserto) entre Rincón de los Sauces e Chos Malal.

Dois dias depois, bem descansado, pude fazer 140 km de estrada de rípio, em mau estado, viajando para Copahue, via El Huecú. Ainda bem que os ventos tinham amainado um pouco. Em grande parte a estrada se espreme entre uma barreira de onde costumam cair muitas pedras, a julgar pela quantidade delas (de todos os tamanhos) que se espalham pela via, e um barranco abrupto, às vezes bem profundo. Isto faz com que qualquer derrapada possa terminar em um mergulho no precipício, que começa onde devia haver algum tipo de acostamento. Uns 6 kms antes de Copahue a neve se acumulava aos lados da estrada, e muitas vezes tive que usar as botas como esquis, com as pernas esticadas para baixo e para frente, para evitar que La Negra tombasse. Dei graças pelos pneus Metzeler Sahara que a Honda escolheu para a XRE 300. Se eles me deixam na mão em velocidades médias ou altas, no asfalto, com vento forte lateral, na mistura de água, cinzas vulcânicas e gelo, se mostraram bem adaptados. Copahue, a cidade e o vulcão de mesmo nome, estavam ainda embaixo de neve. Todos hotéis fechados. Literalmente fechados pela neve que se acumulava até o meio das janelas. E isto em meio à fumaça com cheiro de enxofre que faz com que Copahue seja um centro de hidro-mínero-terapia (sei lá se isto existe, mas estou tentando dar uma idéia do que seja). 

Saí de Copahue e fui para Caviahue, passando por todo o gelo outra vez. Caviahue fica um pouco mais abaixo, à margem do lago de mesmo nome. Dos 180 estabelecimentos de hotelaria que possui, ainda mantinha 4 abertos, neste período que fica entre a temporada de esqui e a de verão. Instalei-me no Hotel do Instituto de Seguridad Social. Fiz uma caminhada de 4 km para ver como estava das pernas e saí atrás do único guia de montanha que está ativo naquela época do ano. Chama-se Charly e não estava nem um pouco disposto a enfrentar as más condições meteorológicas que se anunciavam para o dia seguinte. Sem possibilidades de subir sozinho o vulcão Copahue, resolvi tomar um banho medicinal com cheiro de enxofre no hotel (depois outro, de chuveiro, para tirar o cheiro de pum!) e depois sai para jantar.

Jantei num lugar chamado El Quillen, um dos 4 lugares ainda abertos que serviam refeições. O proprietário me recomendou um coelho à mostarda, de gosto bem forte, que degluti com um Ventus Malbec Roble, bem seco e encorpado, que me pareceu muito bom. Voltei para o hotel e fui tratar de dormir. Tive um pesadelo assustador: sonhei que havia um coelho vivo dentro de mim, esperneando de raiva pela quantidade de mostarda que haviam posto nos olhos dele! Acordei à uma hora da madrugada, com a sensação de que o coelho não só estava vivo, como era muito agressivo, e daí até o amanhecer brinquei de rei e servo: um tempo no trono e outro de joelhos na frente do trono! No dia seguinte o máximo que consegui fazer foi uma caminhada por uma das trilhas do Parque Provincial Copahue, uns 8 km que me deixaram completamente esgotado. Valeu pela cascata no final da trilha... linda no meio da neve... uma compensação pela impossibilidade de ascender ao vulcão que, a Oeste, ora apresentava seu topo despenteado por ventos fortíssimos, ora envolvido por uma nuvem negra, dessas típicas de nevasca.

                                                                                                U m dia mais e saí, de manhã, de Caviahue, sobre a qual pesavam cúmulos-nimbus lenticulares imensos, uns se sobrepondo aos outros, anunciando mais neve. Enfrentei uns 250 km de asfalto pra retornar para Chos Malal, evitando o rípio, abaixo de um vendaval durante todo o trajeto (Caviahue-Loncupue-Las Lajas- Chos Malal), um deserto que parece infinito.... paisagem destas que nos fazem perceber o quanto somos diminutos e, ao mesmo tempo, nos sentir orgulhosos por podermos estar alí.

Retornando a Chos Malal, tratei de trocar o óleo da moto e o fiz em uma borracharia cujos donos, bem jovens, têm potentes e enormes motos para enduro (450 cc). Além de praticarem enduro, nessas condições extremas de montanhas pedregosas e nevadas, eles são apaixonados por motos. Trataram de La Negra muito bem, inclusive tendo visto que faltava um dos parafusos de fixação do catalisador no quadro.

 À noite comi uma sopa de verduras preparada por Don Alberto, ainda parte do tratamento das consequências do ataque do "coelho assassino de Caviahue". Assim, moto e eu bem tratados, nos preparamos para ir às lagoas do Tromen, famosas pelas aves que alí residem (cisnes, patos, flamingos, etc.). No dia seguinte amanheceu chovendo, inesperadamente para todos da região, inclusive para muitos pilotos de planadores de todo o mundo que vão, nesta época, para usufruir dos fortes ventos. Chuva em Chos Malal e neve, muita neve, nas montanhas que a cercam, inclusive no Cerro Wayle e no vulcão Tromen. Desta maneira passei o dia enfurnado em La Farfalla, ouvindo músicas -milongas e chamamés - do Jorge Cafrune (um baita cantante e guitarreiro!) e dormindo.

Segunda-feira começou com um céu azul e um sol maravilhoso.... e sem vento!! Levantei eufórico para ir para as lagoas e... pasmem.... a cidade estava sem combustível no único posto que há! Nem uma gota! E La Negra, com meio tanque, não me garantia o passeio que pretendia fazer. Instintivamente, depois de alguma procura sem êxito por particulares e taxis, procurei pela turma do enduro. Essa comunidade de motociclistas nao falha! Em minutos La Negra estava com o tanque quase cheio! Desta forma pude subir as montanhas em direção ao Tromen. 

Já nas alturas do Cerro Wayle, com La Negra outra vez patinando em gelo e neve, encontrei Luiz Rivera, um praticante da transumância, essa forma de migração que fazem tangendo rebanhos de pastos de inverno para pastos de verão. Uns 400 km por ano subindo e descendo montanhas. No caso de Luiz, pastoreia cabritos (criação muito típica daqui), seus cavalos criollos e alguns novilhos. Luiz me convidou para um mate e uma charla em sua modesta casa, em um pequenino vale assustadoramente verde no meio de tanta neve, e com ele passei momentos muito bons em que tentei compreender seu modo de vida tão difícil.

 Não consegui chegar às lagoas do Tromem. Com roupas de montanha, sem as proteções da roupa de motociclista, perdi a confiança de rodar pelo gelo. Parei onde achei que já estava passando dos limites e, sem trocadilho, me limitei a fazer uma caminhada pela neve do Wayle, deixando La Negra para traz por umas poucas horas. Neste dia três veículos tentaram chegar às lagoas. La Negra, um Ecosport que teve que retornar (antes de La Negra) porque estava derrapando muito no gelo e um 4X4 Land Rover, o único que conseguiu passar a parte mais alta e coberta de neve e gelo do Wayle e descer à laguna que fica entre esta montanha e o vulcão..

                                                                                D e volta a Chos Malal, que continuava sem combustível, comecei a preparar minha ida, no dia seguinte, para Malargüe. Na terça-feira levantei cedo, peguei a moto e fui para a fila do posto de combustíveis. Fila de 4 quadras (haviam duas, uma para cada lado do posto) para abastecer com o combustível que havia chegado pela madrugada. Depois de duas horas, quando faltavam apenas uns 5 veículos na minha frente, avisaram que já não havia mais gasolina. Quase comecei a me irritar, mas prontamente me dei conta de que eu estava ali a passeio, sem compromisso, e que nas duas horas em que estive na fila não perdi tempo. Aquelas foram horas de reflexão, muita coisa sobre os transhumantes, sobre a paciência e persistência com que conduzem seu gado pelas montanhas. Muitas vezes vai um ou dois homens à frente, a cavalo, tocando lentamente o rebanho. Um ou dois kms atrás vai a mulher, também a cavalo ou em uma mula, puxando outros cavalos e mulas com malas de garupa, e com crianças. Fiquei me perguntando sobre o porque escolheram esse diferente e difícil meio de vida.

 Em La Farfalla esvaziei o tanque da moto com uma mangueira para saber exatamente quanto ainda tinha e até onde podia chegar: 4 litros! ... Com cuidado podia ir até Buta Ranquil, se continuasse sem vento. Talvez ali ainda tivessem gasolina no também único posto da cidade... Foi o que fiz, e deu certo! Em Buta enchi o tanque e me mandei para Malargüe! Ao todo 250 km de distância... com uns 150 de asfalto em péssimo estado, 60 dos quais substituído por rípio. Desses, 20 km me permitiram rodar a mais ou menos 60 km/hora. Os outros 40 km foram um verdadeiro sufoco. Partes com rípio em camada muito espessa e solta, outras com buracos que o vento cobre com um pó muito fino, onde as rodas afundam. Há extensos trechos cobertos por uma grossa camada desse pó, onde a gente tem que andar pateando para manter a moto em pé! Levei uma hora e meia para fazer esse esses perigosos 40 kms. É bem verdade que parei muitas vezes para fotografar.

Entre Chos Malal e Bardas Blancas, especialmente, a terra expõe suas entranhas de diversas cores (negro, tons de cinza, amarelos do citrino ao ocre, vermelho, roxo), forçada que foi por convulsões sísmicas e pela atividade vulcânica. São rios de lava solidificada; montes de pedras arredondadas evidenciando ora o leito de uma geleira, ora uma morena; marcas de erosões profundas feitas pelo vento, ou por rios e geleiras que já não existem mais, e rios de água de degelo que ainda correm se espalhando nos vales ou, como o Rio Negro, em alguns trechos aprisionadas em um cânion de lavas vulcânicas, tão estreito que não tem mais do que uns seis metros de largura. Tudo é muito vasto, intenso, superlativo, magnífico, espetacular! Percorri esse trecho devagar, tanto pelo estado da estrada, como pelo meu estado de espírito. Eu o percorri como quem reza! Uma longa e profunda reza em agradecimento por ali estar e por ter consciência da magnitude da formação de tudo aquilo! É assim que sinto a presença de Deus!

                                                                                          M uitas pessoas precisam se curvar de joelhos, dentro de um templo, em frente a um altar, para sentirem a presença de Deus. Descobri que meu altar é o mundo e sua natureza! Preciso me movimentar por ele, com vento na cara, com sol, com frio, com chuva ou neve. Preciso percebê-Lo com todos os meus sentidos. E foi assim que compreendi o modo de vida dos transhumantes! Mais pastores transhumantes encontrei pelo caminho até Malargüe, e alguns outros depois, no Vale de Las Leñas. Passei por eles acenando e deles recebendo acenos e sorrisos e algum grito cordial. Já não os via como pessoas diferentes. Os via como meus irmãos... irmãos de fé!

Malarguë é plana, bem planejada, tem um parque municipal que preserva parte da história da cidade e da região, além do observatório astro-físico mundialmente conhecido e respeitado e do planetário moderno, com projeção digital. Não muito distante, as formações geológicas conhecidas como Castillos de Pilcheira merecem uma visita (por estrada de rípio). Na despedida de Malargüe jantei um maravilhoso cabrito assado, e terminei a noite formando um insólito quarteto com o garçom (Cláudio) que serviu o assado, um velho hippie australiano, mochileiro, meio desdentado (Ronald... apaixonado por Pirinópolis/GO) e um técnico (Nico) de uma das empresas que exploram petróleo na região. Fomos ao cassino local e aí entornamos umas três garrafas de Elementos - Malbec - da bodega El Esteco, de Cafaiate, Salta. Perfeito! Um vinho para não ser esquecido! Se eu tivesse tomado deste antes, acho que nem teria experimentado os outros. Nico e Cláudio parecem pessoas completamente diferentes. O primeiro ganha uma fortuna, o segundo vive de gorjetas e de lavar pratos. Ambos, entretanto, tem coisas em comum: são separados das mulheres e tem filhos, além de serem viciados em jogo e serem muito hospitaleiros. Quanto a mim e a Ronald, nos une a idade e o fato de sermos estrangeiros. A hospitalidade dos mais jovens os fez convidar para esticar a noite no cassino. Nico ganhou em uma das máquinas caça-níqueis e pagou a conta. Melhor não podia!

Na estrada para San Rafael conheci um casal que foi empurrado pelo vento para fora da estrada. Eles estavam em uma camioneta Kia, 4X4!! Mais tarde, encontrei um colega motociclista que, rodando a 120 km/hora em uma 250cc, foi levado para o acostamento (de grama, como é comum em La Pampa) e acabou caindo com a moto. Por sorte depois de ter conseguido reduzir a velocidade. Estava meio ralado, mas inteiro! Quanto a mim, percorri uns 400 km em grande parte a menos de 80km/hora, pois assim mandava o juizo (ou os anjos da guarda). Cheguei em San Rafael numa quinta-feira, tendo saído de Malargüe e passado por Las Leñas.

Quanto a San Rafael, é uma cidade grande e, tal como Malargüe, tem mais motos do que carros. Em Malargüe predominam motos de baixa cilindrada (até 200 cc) com uma preferência por duas trails chinesas, uma delas montada pela Motomel da Argentina. Em San Rafael predominam as scooters, mas há de tudo! San Rafael tem mais de 40 lojas que vendem motos! Só na avenida principal contei 27! San Rafael tem uma praça muito bonita onde, à noite, passeiam casais, jovens e velhos, e possui um comércio extremamente ativo. Alí andei procurando por um CD do Larralde e por alguma coisa folclórica... assim mais tipo chamamé. O cara da loja me disse que não tinha, mas que se eu esperasse um pouquinho ele podia produzir os dois..... e assim, pirateadamente, sai da loja com os CDs que eu queria. Impostos absurdamente altos para cobrir os custos de uma política extremamente paternalista (e populista) criaram, na Argentina, essas formas de manter a economia em giro.

Cheguei em Realicó, a caminho de Buenos Aires, debaixo de um calor dantesco (36º C... e vento) nesta Pampa de Diós! O dia anterior foi dia de El Gauchito Gil! Muita festa e procissão em Mercedes, Corrientes. No creo en.... pero que las hay...! Um tanto por isto, um tanto porque me agrada a idéia de um santo pagão, que foi morto porque não queria lutar em uma guerra entre irmãos, e porque só fazia o bem (curas, etc.), deixei uma flor vermelha em um dos tantos altares ao Gil que se encontram na estrada. Também prometi amarrar uma fita vermelha em La Negra, assim que chegasse em casa. É uma das minhas formas de contar com ajudas extras (uns chamam de anjos da guarda). Juntei El Gauchito assim aos dois ou três da guarda pessoal do Rui Bittencourt (gentilmente cedidos por ele para me acompanharem – www.ruibittencourt.com.br ) para me sentir bem fortalecido e tranquilo para seguir viagem. A cada dia vou me sentindo mais à vontade em La Negra e me ajustado às suas qualidades e limitações.

Bueno, de Realicó fui para Lobos e, conforme planejado, atravessei Buenos Aires no domingo pela manhã, indo direto ao Porto Madero para pegar o Buquebus das 12:30 hs. Travessia tranqüila do Rio de La Plata. Eu na Classe Turista e La Negra, devidamente amarrada, na bodega de veículos.


Resolvi permanecer o resto do dia em Colonia de Sacramento, bem mais simpática do que as opções mais adiante (Flores, Durazno, etc.). Para me despedir de terras castelhanas, jantei um cordeiro a la parrilla (muito bom mesmo) e tomei um tannat San Rafael, uruguaio. Não errei no vinho, acho que a uva tannat é a única que dá um vinho de boa qualidade no Uruguai, assim como a gente quase nunca erra quando pede um malbec na Argentina, ou um carmenére no Chile.

                                                                                   N a segunda-feira fiz o percurso até Livramento/Rivera. Breve visita ao Brazil Rider Kojak que já me havia recebido muito bem na ida, umas poucas comprinhas (não cabia muito mais no dorso de La Negra), pizza com cerveja e um bom sono para seguir adiante no rumo de casa, no dia seguinte. O trajeto de São Gabriel a Guaíba foi feito em boa parte na companhia do simpático casal Vinícius Manarte e Lavínia, BRs de Guarapari, ES, que bem instalados na sua Varadero fizeram com que La Negra se esgoelasse toda para acompanhar o tranco deles.

Daí para frente: dormi em Osório, RS e haja chuva e temporal para chegar a casa na quarta-feira.  Martha havia saído do Rio de Janeiro pela manhã e encontrado com nosso filho Jader e com Dani, sua esposa, no aeroporto. De lá vieram direto para a Serra Catarinense para me esperar. Foi ótimo ser recebido por eles!

Em casa soube que o Ronaldo Mutukão, de Livramento, e o Pancho, BRs também, estiveram hospedados no Refúgio do Gaudério. Deixaram um bilhete super simpático e uns adesivos de recuerdo. O Refúgio é um espaço que temos para receber amigos viajantes motociclistas, com banheiro com calefação, quarto, churrasqueira, etc. Por falar nisto está à disposição, é grátis, bastando combinar com um pouquinho de antecedência para não ocorrer overbooking!

De mais a mais, devolvi os três anjos da guarda pessoal do Rui Bittencourt, com meus sinceros agradecimentos. Acho que um deles voltou meio depenado, e pelo menos um dos outros dois chateado com a discussão teológico-filosófica que andou tendo com um tal Gauchito Gil. O terceiro ainda deve estar dando gargalhadas por conta disto!

NOTAS DE VIAJEM:

Hotéis que recomendo – Em Colonia de Sacramento, Uruguai, o Hotel Royal, cuja proprietária tem um filho motociclista e viajante, dono de uma Varadero super-equipada, e que valoriza nossa turma. Em Saladillo, Província de Buenos Aires, AR - Hotel Saladillo – por US$ 35,00 a gente fica muito bem hospedado.. Em General Acha, La Pampa, AR – Hotel Traful –Omar e Chuchi, os proprietários sabem receber bem. O hotel é pequeno, limpo, confortável e barato. Em Chos Malal, Provincia de Neuquén, AR – Hostal La Farfalla – onde a gente se sente em casa e membro da família. Beto e Fitty além de tudo cozinham muito bem e Fran, o filho, é muito prestativo e amigo. Em Caviahue, Prov. de Neuquén, o Hotel do Instituto de Seguridad Social é bom, bonito e barato, além de ter instalações para banhos medicinais de águas sulfurosas. Em San Rafael, Província de Mendoza, AR – Hotel Jardin. – parece com pequenos hotéis espanhóis com pátio interno, com fonte e estátuas romanas - tudo de bom por um preço muito baixo. Em Osório, RS, Brasil – Hotel Ibiama – ao lado da BR 101 – confortável, limpo, bom café da manhã e muito barato.

Hotéis que não recomendo – Hotel de Turismo, em Malargüe, AR, com péssimo atendimento e caro para o que oferece. Hotel Cruze el Desierto, no meio do nada da pampa árida patagônica – 120 km mais adiante, em 25 de Mayo tem opções melhores, mais agradáveis e baratas. Hotel Petit, em Lobos, baratíssimo, mas sujo e infestado de baratas!

Contradição argentina digna de nota: Chos Malal, uma cidade tão ao lado de área de intensa exploração de petróleo, com 20.000 habitantes, só tem um posto de combustível que, esporadicamente, fica sem combustível. A opção mais próxima está a cerca de 100 km e nada garante que tenha, já que é abastecida pela mesma distribuidora. 

Observação final: Chos Malal e arredores, aí incluindo o caminho em direção ao Vulcão Domuyo e as localidades rurais a lo largo ya lo ancho , também as pequenas cidades de Caviahue / Copahue, merecem retorno. Villa Pehuenia e Aluminé, localidades não muito distantes (uns 300 km), que não se encontram, despertaram a minha curiosidade, da mesma forma que as cercanias do Vulcão Domuyo. Mais uma viagem para essa região, e melhor!

5.370 KM de XT pelo Centro Oeste do Brasil. 

Esta Viagem foi realizada por mim Gilmar Calais Assafrão, morador de Duque de Caxias/RJ, com uma moto Yamaha XT 600 E, no período de 11/02/2005 à 24/02/2005, onde foram percorridos um total de 5.370 KM. Pela primeira vez viajaria sozinho (pois meu amigo que ia comigo, não pôde ir, e minha esposa não poderia se ausentar do RJ, por motivos profissionais), porém estaria  na companhia espiritual de Deus e Nossa Senhora Aparecida, que foram meus fieis companheiros durante toda a viagem. Outro diferencial desta minha viagem, em relação a outras realizadas anteriormente, foram os amigos virtuais do Clube XT600 que encontrei em algumas cidades por onde passei. Eu explico, dentre diversas sites existentes na “Internet” a respeito de motociclismo, me identifiquei muito com o “www.XT600.com.br”, destinado aos admiradores desta ótima moto da Yamaha. Como acesso o site quase que diariamente, passei a conhecer virtualmente, ou em alguns casos pessoalmente, diversos motociclistas de todo o Brasil, que comungam da mesma admiração por motos e viagens. Dentre estes amigos virtuais, tive o prazer de conhecer pessoalmente alguns nesta viagem, pois durante os preparativos, fiz contatos com os residentes nas cidades por onde passaria, anotando telefone e informando datas em que estaria em cada lugar da viagem, que tinha como meta principal a cidade de Bonito/MS.  

Aí vai um pequeno resumo dia-a-dia  desta inesquecível viagem. 

11-02-2005  (sexta-feira ) - Como sempre, a noite anterior a viagem, não conseguir dormir quase nada, tamanha a ansiedade em que estava. Neste dia, saí de casa por volta das 7:30 hs da manhã, como pretendia ir até Poços de Caldas/MG, onde pernoitaria na casa de minha madrinha, e a distância a percorrer seria aproximadamente 500 KM, fui tranqüilo e sem pressa,  curtindo a viagem e a Serra da Mantiqueira, onde parei para tomar um autêntico café com pão de queijo mineiro, o tempo estava ótimo para viajar de moto, com sol e pouco movimento na estrada. A chegada a Poços de Caldas foi por volta das 14:30 hs, e aproveitei o final do dia para rever Tio, Tia, Primas e minha Madrinha.

 

12-02-2005  (sábado) – Manhã nublada, com uma chuvinha que vinha e voltava, me deixaram naquela dúvida cruel, colocar ou não a capa de chuva, acabei optando por colocar os impermeáveis, o curioso foi que a chuva começou a ficar forte, mas foram somente 20 KM de chuva, entre Poços de Caldas e Águas da Prata/SP, logo depois o Sol forte me acompanhou por todo o percurso até Bauru/SP, meu destino neste dia, pois rodaria somente  cerca de 380 KM. Assim, passei por algumas cidades do interior paulista, como Pirassununga, Brotas, Jaú, entre outras. Ao chegar a Bauru, por volta das 13:30 hs, liguei para um amigo do clube XT, o Alexandre Bauru, motociclista experiente, com diversos kms de experiência em viagens de moto, inclusive já foi ao Deserto do Atacama no Chile em duas rodas. Este amigo, já havia tido o prazer de conhecer pessoalmente durante um encontro do Clube XT, realizado na cidade mineira de São Tomé das Letras em outubro de 2004. O restante do dia foi bem agitado, participei de dois churrascos, e ainda encontrei tempo para tomar uma gelada com o Alexandre e outro amigo do Clube, o Piolho, gente muito boa, e também morador da cidade, e como não poderia deixar de ser, também fui a uma lanchonete tradicional comer o famoso sanduíche Bauru. 

13-02-2005 (Domingo) – Após a despedida do amigo Alexandre, peguei a estrada mais cedo, por volta da 7:00 hs, pois neste dia rodaria cerca de 750 KM até Dourados/MS.  Boas estradas, tempo bom  e grandes retas, assim as cidades foram passando rapidamente, Marília, Assis, e as Presidentes Prudente, Bernardes, Venceslau e Epitácio. Enfim cheguei a divisa SP/MS. E por mais que eu viaja, sempre sinto um sensação diferente ao entrar em um estado nunca visitado anteriormente, e com MS, não foi diferente, principalmente porque o rio Paraná que divide os estados, nesta região é imenso, um verdadeiro mar de água doce.

Ao chegar ao MS, o que impressiona também são as grandes distâncias entre as cidades, cheguei a rodar cerca de 200 KM entre Bataguassu e Nova Alvorada do Sul, neste trecho não existe quase nada, só retas intermináveis com até 40 Km, e somente dois postos de gasolina, mas graças a Deus, tudo ocorreu conforme planejado, chegando a Dourados/MS às 19:00  hs,  e logo encontrando um bom hotel a R$ 20,00 à diária.

 14-02-2005 (segunda-feira) – Conforme planejado desde o Rio, neste dia faria uma visita a Pedro Juan Caballero no Paraguai, com intenção de comprar uma máquina fotográfica digital, voltando a Dourados no final do dia. Após pedir algumas dicas do pessoal do Hotel com relação ao Paraguai, peguei a estrada, que se resume a uma reta de 120 km até Ponta Porã/MS, cidade separada de Pedro Juan Caballero por uma avenida, com trânsito intenso de motos, bicicletas, carros, etc, entre as duas cidades. Esta foi uma experiência ímpar, pois a região é uma verdadeira babel dos tempos modernos, onde ninguém usa capacete, inclusive os guardas motorizados de trânsito Paraguaios, e as motos levam até três pessoas ao mesmo tempo. Porém os preços são imbatíveis, comprei uma máquina digital Olimpus 395 por U$ 140,00, e a gasolina custa R$ 1,70 o LT, sem o acréscimo de 25 % de álcool, como a brasileira, mas vale lembrar que a cota para compras no país vizinho e de apenas U$ 140,00. Após este tour por terras Paraguais, voltei a Dourados no final da tarde, onde pernoitei por mais uma noite.

 15-02-2005 (terça-feira) – Saí cedo rumo ao principal destino da viagem - Bonito que fica a 260 Km de distância de Dourados. Lá chegando, procurei a pousada indicada por um amigo do Clube XT, Toninho Itajaí, que visitou recentemente a cidade, dando-me dicas importantes. Valeu Toninho !  Para quem pretende visitar Bonito, esta dica é muitíssimo útil, procure uma pousada bem simples, pois os passeios duram em média o dia todo, e você só usará a pousada para dormir mesmo.  Neste dia, também por dica deste amigo virtual, procurei a agência de viagens Ygarapé, agendando dois passeios para o dia seguinte, Gruta Azul (R$ 20,00) e flutuação no Rio Sucuri (R$ 80,00), e ainda fui ao Balneário Municipal, um dos poucos passeios que não são feitos por intermédio das agências, porém, tão bonito quanto os demais, nunca vi tanto peixe em minha vida !

 

16-02-2005 (quarta-feira) – Como o primeiro passeio, que seria a descida a Gruta Azul estava marcado para às 8:00 hs da manhã, acordei cedo e fui ao local indicado pela agência, que fornece um mapa com a localização de todas as atrações turísticas da cidade, que no caso da Gruta Azul, fica à 20 km do centro de Bonito, lá chegando, fui recebido por uma atendente que me deu todas as dicas sobre o passeio. A pequena caminhada que leva à entrada da Gruta Azul, começou  pontualmente às 8:00 hs da manhã, sempre acompanhado de um guia, que nos dava todas as explicações sobre a Gruta, e os cuidados que deveríamos ter no local, principalmente com os estalactites e estalagmites que levam anos para se formar, e podem ser destruídos com um simples toque. Após descer uma escada cravada nas pedras da Gruta, chega-se às margens do Lago, que é de um azul impressionante de tão belo. O segundo passeio do dia, a flutuação no Rio Sucuri, seria realizado em uma fazenda localizada também à 20 km da cidade, porém em sentido inverso ao do primeiro passeio, e estava marcado para às 14:00 hs,  lá chegando às 12:00 hs, fui muito bem recepcionado pelos guias, sendo oferecido um autêntico almoço na fazenda. Difícil e conseguir colocar em palavras o quanto é lindo este passeio, que começa com uma caminhada até a nascente do Rio Sucuri, e termina com a flutuação de 1,5 KM em suas águas transparentes, onde você vê de perto todas as espécies de peixes, simplesmente fantástico! Nesta flutuação, fui acompanhado de três casais de Ingleses de terceira idade, moradores da cidade de Manchester, que não se cansavam de dizer “Very Beaultiful”.

Á noite, encontrei um casal de amigos do Clube XT, moradores de Itaqui/RS, o qual havíamos marcado de nos encontrar em Bonito, pois os mesmos também tinham planos de vir para esta cidade. Na verdade, fui encontrado pelo Luciano e a Andréia, que reconheceram minha moto pela placa, e vieram se apresentar, foi a maior festa, pois nós não nos conhecíamos pessoalmente, somente via Internet, e tínhamos muito papo para colocar em dia. Nesta noite, fizemos uma escolha, que se mostrou a mais acertada de toda a viagem, Eu, Luciano e a Andréia compramos um pacote na mesma agência, para um passeio na fazenda São Francisco, situada dentro do Pantanal do Mato Grsso do Sul, no município de Miranda. Nesta noite, ainda encontrei tempo para ir a um cyber café, para fazer um pequeno resumo da viagem e colocar no site do clube XT.

 17-02-2005 (quinta-feira) – Marcamos a saída para as 8:00 hs da manhã com destino a fazenda São Francisco, que fica a 130 Km de Bonito. Os primeiros 72 km foram por estrada de chão, com muita poeira. Eu e o Luciano revezávamos na frente, pois o segundo da fila tomava aquela nuvem de poeira, com a Andréia fotografando tudo. Ao chegarmos a um posto de gasolina, onde começava o asfalto, na cidade de Bodoquena, fizemos uma rápida limpeza superficial na gente, e nas motos, e pegamos novamente a estrada, desta vez asfaltada, em direção ao nosso destino, que era a Fazenda São Francisco. Ao chegarmos a Fazenda por volta do 12:00 hs, fomos muito bem recebidos pelos responsáveis pelo atendimento aos turistas, que nos deram todas as informações sobre as atrações e passeios que iríamos fazer.

 “Gostaria de deixar aqui também a minha opinião, a respeito do profissionalismo das pessoas e empresas envolvidas no atendimento ao turista nesta importante região turística do Brasil. Pois em minhas pesquisas, feitas antes da viagem, na Internet, guias e amigos que haviam visitado o local, ouvi muito falar dos preços das atrações, que muitos consideram altos, e realmente os preços não são muito populares. Mas acredito, que desta forma, somos brindados com um atendimento de melhor qualidade, inclusive com uma preocupação de dissimular entre os turistas, uma consciência da importância da preservação da fauna e da flora ali existentes, e acho que assim, teremos por muito tempo esta preciosidade intacta. O que não ocorre em outros locais turísticos do Brasil visitados por mim, onde não existe esta organização, e sim pouca, ou nenhum infra-estrutura para atendimento ao turista”.

 Após as explicações recebidas, e as motos descarregadas, fomos saborear um delicioso almoço Pantaneiro, o engraçado, era que o Português era o idioma menos falado no restaurante, que estava totalmente tomada por uma excursão de turistas vindos do velho mundo; Alemães, Ingleses, Italianos, Holandeses, Tchecos, Franceses, que tinham acabado de chegar do safári fotográfico, e todos pareciam estar maravilhados com a beleza do local.  O passeio programado para aquela tarde foi um passeio de Chalana, um típico barco Pantaneiro, com uma parada para pescar piranha, peixe comum na região, e fotografar diversos espécies da fauna e da flora, jacarés, tuiuti, garça, falcão, ariranha, entre outros, realmente imperdível. Ao voltarmos à fazenda, ainda tomamos um autêntico caldo de piranha, finalizando o dia com um belo jantar.

 18-02-2005 (sexta-feira) - Neste dia, iríamos fazer o safári fotográfico, que é um passeio de 3 hs pela fazenda, em uma camionete adaptada para levar os turistas, onde mais uma vez observamos e fotografamos toda a fauna e flora da fazenda: cervo do Pantanal, sucuri, tamanduá, seriemas, entre outros, e também recebemos do guia, uma explicação sobre as atividades desenvolvidas na fazenda, que explora o turismo, a agricultura e a pecuária. Após o almoço, deixamos a fazenda com destino a Campo Grande/MS , onde chegamos no começo da noite, e encontramos um bom hotel no centro por R$ 30,00 à diária.

 19-02-2005 (sábado) – A primeira providência do dia, foi levar as motos para dar uma boa geral, pois ainda estavam muito sujas e empoeiradas. Logo depois, fui a um cyber café para novamente atualizar o resumo de minha viagem no site do Clube XT, ao chegar ao lavador para buscar a moto, tive uma agradável surpresa, pois lá conheci mais um amigo do clube XT, o Peterson, que mora em Campo Grande e reconheceu minha moto pelo adesivo do Clube. Logo ele me levou para conhecer o Pepe, que também faz parte desta família virtual e é morador da cidade. Neste dia, eles marcaram com uma turma de amigos motociclistas, para darmos uma volta pela cidade à noite, galera muito bacana que me tratou muitíssimo bem.

 20-02-2005 (domingo) – Posso dizer que este foi o dia mais difícil da viagem, por dois motivos, após quatro dias de convívio com o casal de amigos de Itaqui, teríamos que nos separar, pois eles seguiriam para o Sul, e eu para Caldas Novas, também neste dia teria que rodar cerca de 850 Km até meu destino em Goiás. Após a despedida dos amigos Gaúchos, parti as 7:30 Hs, com um sol bem forte me acompanhando, os primeiros 500 Km foram tranqüilos, apesar das longas distâncias entre as cidades, o que me fez redobrar o cuidado com os abastecimentos, mas ao chegar à divisa MS/GO, me surpreendi com o estado da rodovia a partir dali, pois a estrada simplesmente está destruída, foram 50 Km de sofrimento com as crateras existentes entre Itajá/GO e Itarumã/GO, e o que já estava ruim, ficou pior, pois começou também uma tempestade de verão, com a água da chuva cobrindo os buracos. Próximo a Caçu/GO, a chuva parou e a estrada melhorou consideravelmente, mas infelizmente, devido ao atraso na viagem proporcionado pelos buracos, tive que pernoitar em Itumbiara/GO, após rodar cerca de 730 Km, pois a noite chegou e achei mais seguro não seguir viagem, adiando a chegada a Caldas Novas para o dia seguinte.

 21-02-2005 (segunda-feira) – Somente 120 Km me separavam da famosa estância Goiana, e lá cheguei ainda pela manhã, logo encontrando um hotelzinho simples, mas muito aconchegante, e pagando o menor preço de toda viagem, incríveis R$ 15,00 a diária. O período da tarde foi todo dedicado ao ócio em um parque aquático, onde existem dezenas de piscinas e tobogãs de água quente. À noite, mais uma vez atualizei o resumo da viagem no site do Clube Xt.

 22-02-2005 (terça-feira) – Este dia também seria bem corrido, porém as distâncias a percorrer não seriam tão expressivas. Logo cedo, saí em direção a Goiânia (170 Km), para encontrar o adorável casal de amigos do Clube Xt, Benzinho e Benzinha, que me levaram para dar um rápido passeio pela bonita capital Goiana, e depois de almoçarmos juntos, parti para Brasília (200 Km), onde havia marcado de me encontrar com outro amigo do Clube Xt, o Fabrício. Lá chegando, fomos dar um passeio pelos principais pontos turísticos de nossa Capital Federal, e aproveitar os últimos raios de sol para tirar algumas fotos. À noite, ainda fomos a um encontro de motos no terraço de um shopping, ponto tradicional de encontro dos motociclistas em Brasília.

 23-02-2005 (quarta-feira) – Esta seria a primeira etapa de minha volta, pois agora cada Km rodado me deixaria mais próximo de minha casa e a saudade já começava a apertar. Minha meta neste dia era pernoitar em BH, que fica a 700 Km do DF. No meio do caminho, também tinha um compromisso comigo mesmo, que era comer um peixe às margens do Rio São Francisco, na cidade de Três Marias em MG. Aos amigos motociclistas que passarem pelo local, não deixem de comer a Moqueca de Surubim, que é simplesmente divina! Às 18:00 Hs cheguei a BH, me encontrando em frente ao Carrefour com o Guará, mais um irmão do Clube Xt. À noite, ainda fui saborear uma Picanha no restaurante do Bigode, acompanhado do adorável casas, Guará e Neuza.

 24-02-2005 (quinta-feira) – Último dia de viagem, agora apenas 440 Km me separavam de casa.A saudade era muito grande, pois já estava na estrada a duas semanas. Como sempre, saí bem cedo para aproveitar a manhã, período do dia em que a viagem de moto rende mais, a estrada já era uma velha conhecida minha, além de se encontrar em bom estado e se resumir a uma grande descida até o RJ. Em Juiz de Fora/MG, fiz o último dos 23 abastecimentos da viagem.  E após 5.370 Km rodados, e 14 dias de viagem, cheguei em casa as 13:00 Hs, a tempo de almoçar com os familiares, matar as saudades e já começar a pensar na próxima viagem.

 Alguns números da viagem:

Total de kms rodados : 5.370. 
Sendo 5.242 KM de estradas boas e razoáveis, 76 KM de estrada de chão entre Bonito e Miranda no MS, e 50 KM de uma estrada destruída entre Itajá e Caçu em Góias. 

Total gasto - R$ 1.499.91 – Incluindo todas as despesas da viagem, exceto a compra da câmera digital. 
Combustível : 23 abastecimentos efetuados na viagem - Valor gasto- R$ 552,36. 
Litros - 245,7. 
Valor médio - R$ 2,248. 
Maior preço - R$ 2,63 em Bonito/MS. 
Menor preço - R$ 1,70 em Pedro Juan Caballero - Paraguai. 
Menor preço no Brasil - R$ 2,01 em BH. 

Consumo : Médio - 20,59 Km LT = 5.370 : 260,7 (incluído o combustível que saiu no tanque do Rio). 
Melhor média = 24,00 km/LT com a gasolina Paraguaia. 
Pior média = 18,11 km/LT com a gasolina abastecida em Campo Grande/MS. 

Preços das diárias de Hóteis e Pousadas :
R$ 25,00 em Dourados/MS - ar condicionado, frigobar, Tv. 
R$ 25,00 em Bonito/MS - ar condicionado, tv. 
R$ 30,00 em Campo Grande/MS - ar condicionado, Tv a cabo, frigobar. 
R$ 15,00 em Caldas Novas - ventilador de teto, frigobar e TV. 
OBS – Todos as diárias incluem café da manhã. 

Gastos com passeios :

R$ 80,00 no Rio Sucuri, com direito à flutuação de 1,5 KM e um almoço típico na fazenda. 
R$ 20,00 no Gruta Azul em Bonito. 
R$ 10,00 no Balneário Municipal em Bonito. 
R$ 125,00 na fazenda São Sebastião em Miranda/MS, incluindo dois cafés da manhã, dois almoços e um jantar. Juntamente com um passeio de chalana e um safarí fotográfico. 
OBS - lembrando que estes valores são referentes a baixa estação, na alta estação ocorre aumento de cerca de 30 %. 

Gastos com alimentação - os preços variaram de R$ 5,00 em Dourados/MS a R$ 11,00 em  Baguaçu/MS.
Agradecimentos,                                                 

 Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a Deus e Nossa Senhora Aparecida que me acompanharam em toda viagem, me protegendo em todos os momentos. A minha família e aos amigos do Clube Xt que me incentivaram e ajudaram a realizar esta viagem solo. Em especial :

 Simone, minha esposa, que me incentivou desde o começo do planejamento da viagem.

Amélia, minha mãe, que tenho certeza que rezou por mim todos os dias em que eu estive ausente.

Luciano e Andréia de Itaqui, meus companheiros de viagem por quatro dias.

Alexandre Bauru e família.

Piolho de Bauru.

Peterson, Pepe, Jacaré e toda turma de Campo Grande/MS.

Benzinho e Benzinha.

Fabrício e família.

Guará e Neuza.

Luke.