Hoje, Maria das Graças dos Santos Medeiros completa 76 anos de vida. Uma data que vai muito além de um aniversário: é a celebração de uma trajetória marcada por liberdade, amizade, superação e amor pelas estradas do Brasil. Motociclista desde a juventude, Graça — como é conhecida por todos — construiu uma história que atravessa estados, encontros e gerações.
Recentemente, ao relembrar momentos vividos em Brasília, ela resumiu em poucas palavras o sentimento que acompanha essa fase da vida:
"Saudade das minhas andanças."
"Saudade das minhas andanças."
Uma frase simples, mas carregada de significado.
Por questões de saúde, Graça precisou desacelerar e interromper as viagens nos últimos tempos. A pausa, no entanto, não apaga o brilho de quem viveu intensamente cada quilômetro percorrido. Pelo contrário: transforma suas lembranças em patrimônio afetivo de todos que dividiram a estrada com ela.
"Hoje é dia de ser feliz encontrando essas mulheres incríveis… Amo todas."
Um reflexo de sua essência: acolhedora, verdadeira e apaixonada pela irmandade que o motociclismo proporciona.
Sua história também é marcada por amizades que cruzam fronteiras. Em encontros no Sul do país, em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte, Graça sempre destacou valores como honra, igualdade, respeito e reciprocidade — princípios que carrega para além da estrada.
Viúva de Roberto, companheiro de vida e de viagens, Graça guarda com carinho as memórias que viveram juntos. Em junho, relembrou uma viagem feita em 2011 para a Convenção da Brazil Riders em Gravatal (SC), destacando que certas lembranças jamais se apagam. O amor permanece vivo na saudade, no respeito e na história que construíram lado a lado.
Há também o lado musical, pouco comum, mas inesquecível: em Santo Ângelo (RS), Graça foi fotografada tocando sanfona, cantando com amigos e espalhando alegria — do mesmo jeito que sempre fez, seja em duas rodas ou em rodas de conversa.
Desde sua primeira moto, uma Yamaha 1975, 50 cilindradas, até os registros com capacete de estilo antigo, quase de guerra, Graça representa uma geração que aprendeu a viver a estrada com coragem, simplicidade e alma livre. Integrante do Moto Tribo Potiguar, ela é símbolo de identidade, pertencimento e resistência.
Hoje, aos 75 anos, Maria das Graças não é celebrada apenas pelo que rodou, mas pelo que construiu: amizades verdadeiras, histórias compartilhadas e um legado que inspira. Ela segue sendo referência de força, alegria e autenticidade.
Que este aniversário seja cercado de carinho, respeito e reconhecimento. A estrada pode estar em pausa, mas a história segue viva — e continuará ecoando por muito tempo no coração do motociclismo brasileiro.