Quinta, 06 Dezembro 2018 17:29

MAURO DAMASCENO...OIAPOQUE-CHUI DE MOTO

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11/07/2009.

A REALIZAÇÃO DE UM SONHO ANTIGO.

 

 Quando Indagado sobre a minha expedição e o porquê dessa loucura, disse às pessoas que não acreditavam no meu potencial, na minha coragem e determinação em realizá-la, e que com isso tentaram-me desestimular e fazer desistir desse sonho tão antigo e agora tão real, e que está prestes a ser realizado: “Muitas são as razões que me motivam a buscar meus objetivos e a realizar os meus sonhos mais profundos.      Algumas dessas razões são nobres e dignas, outras são emergenciais e até mesmo casuais. Em verdade, o mais importante é que tenho projetos e sonhos realizáveis, metas definidas e firme disposição para persistir sempre.

     Distinguir as palavras de otimismo e encorajamento das palavras de desestímulo sempre foi para mim uma tarefa fácil.     Usei, portanto, o bom senso e o discernimento para saber insistir no que realmente vale à pena, e naquilo que eu queria realmente, sem me deixar acovardar pelos discursos pessimistas das pessoas de pouca fé, projetei e realizei minha expedição sem, no entanto dar ouvidos aos desacreditados e pessimistas, viajei durante 118 dias, pelos caminhos do Brasil em uma motocicleta FALCON NX 400C(HONDA). Visitei e conheci todas as capitais Brasileiras, ilha de Marajó, Distrito Federal (Brasília), e ainda as principais cidades Brasileiras que estavam na minha rota pré-definida, segui em frente com muita fé, determinação e coragem, e graças a DEUS, fui, vi e venci minhas limitações. De volta ao aconchego do lar, recebi o amor e o carinho das minhas filhas (Bruna e Dani) depois de uma longa ausência; sei que há novas fronteiras a serem atingidas, novas estradas a serem percorridas, muitas barreiras a serem quebradas, e muitas etapas a serem vencidas, enquanto os nossos sonhos não forem limitados".

   “Nada na vida esta realmente em nossas mãos... mas tudo está diante das nossas possibilidades, e é a possibilidade que me faz continuar e não a certeza. Uma espécie de aposta da minha parte. E embora possam me chamar de sonhador, louco ou qualquer outra coisa, acredito que tudo na vida é possível e realizável...”                                



EXPEDIÇÃO PRIMAVERA 2009-OIAPOQUE - CHUI.

NOS CAMINHOS DO BRASIL.       
     
              Depois de dezoito anos de sonhos, e mais dois anos de planejamento, finalmente iniciamos a expedição primavera 2009-Oiapoque-Chui, nos caminhos do Brasil, no dia 11/07/2009 as 08h00minhs em ponto, saímos de Primavera do Leste - MT em direção a primeira capital do país, a ser visitada: Cuiabá.

     Após visitar Cuiabá rumamos para Porto Velho no estado de Rondônia. No caminho belas paisagens, muito verde e muita água faziam parte do contexto, fizemos uma breve parada em Vilhena, onde fomos recebidos pelos irmãos do Brazil rider’s (Totto e Beto) (www.brazilriders.com.br)um moto clube virtual, mas com uma estrutura real, com integrantes de todo o Brasil, do qual também fazemos parte e que sem dúvida alguma, os irmãos BR’S foram os principais responsáveis pelo sucesso da expedição Primavera 2009-Oiapoque-Chui. E desde já quero prestar meus agradecimentos à todos os irmãos pelo apoio recebido.

     De Porto Velho onde fomos recebidos pelos irmãos Riders, Papa-Léguas e Mad-Max rumamos para Rio Branco no estado do Acre, fomos recebidos pelos irmãos Riders Karioca e Paulo Navarro, Rio Branco é uma capital com ares de cidade interiorana, mas muito aconchegante e com gente sorridente e alegre recebendo a todos com um largo sorriso nos lábios. De volta a Porto Velho fizemos a revisão nas motos e seguimos com destino á Humaitá no Amazonas, esse trajeto foi considerado um dos mais belos e perigosos da expedição em virtude dos animais que cruzavam a rodovia constantemente, e também, pelas paisagens avistadas, muito verde e uma selva quase que intacta nos acompanhou durante o percurso até Humaitá.

     Pernoitamos em Humaitá e no dia seguinte após abastecer as motos, comprar alimentos  e  água,  compramos também gasolina  extra para transpor o percurso de aproximadamente 700 km de selva, entramos na tão temida BR 319(Humaitá-Manaus). Esse sim foi o trecho mais perigoso de toda a expedição. Uma rodovia abandonada no meio da selva Amazônica sem recursos, com pouco alimento e quase nenhum habitante. No primeiro dia rodamos 250 km e pernoitamos acampados, em  uma das torres da Embratel (estação Brasil) dormimos em barracas, nos alimentamos de pão, lingüiça e água. Na manhã seguinte saímos com o raiar do sol e nesse dia bebemos sómente água de igarapé e comemos algumas bolachas de água e sal, chegamos a um acampamento do exército Brasileiro no final da tarde, e ali pernoitamos, nesse dia rodamos aproximadamente 200 km.

     No terceiro dia dentro da selva pegamos muita chuva e lama, e ali os tombos foram inevitáveis. A selva é quente e úmida o que faz aumentar o calor e sensação térmica chega aos 45 graus, nossa única fonte de água eram os rios e igarapés, nessa tarde chegamos á Manaus. Atravessamos o rio Solimões e pudemos presenciar o encontro das águas do rio Solimões com o rio Negro, formando o rio Amazonas. Em  Manaus fomos recebidos pelo irmão riders Shigueo e Permanecemos dois dias, desfrutamos da culinária local e conhecemos um pouco da cultura amazonense, que além de bela é riquíssima. A fauna da região amazônica e a flora são inigualáveis e creio que não existe nada tão vasto, belo e rico em todo o planeta terra.

     Na manha do terceiro dia já em companhia dos irmãos motociclistas Falcões de Aço de Volta Redonda-RJ, seguimos até presidente Figueiredo onde pernoitamos e na manhã seguinte seguimos rumo á Boa Vista, capital do estado de Roraima. Lá fomos recepcionados novamente pelos irmãos riders. No dia seguinte os irmãos falcões seguiram viagem para a Venezuela, nos despedimos felizes pelos novos amigos conquistados e fomos visitar outro amigo (Miguel levino persch) em sua fazenda próximo a cidade de Alto Alegre.

    No dia seguinte de volta á Manaus, pegamos um navio com destino a Santarém. Viajamos quase dois dias desfrutando as maravilhas do rio Amazonas, cardumes de botos e belas paisagens emolduradas pelo pôr-do-sol fizeram esse dois dias embarcados em um navio singrando ás águas do rio Amazonas inesquecíveis, em Santarém fizemos um breve descanso conhecemos a cidade, visitamos alguns amigos e a tarde pegamos outro navio com destino a Macapá. Chegamos a Macapá depois de dois dias de uma viagem inesquecível pelas águas do rio Amazonas. Em Macapá fomos novamente recepcionados pelos irmãos riders (Clésio), nos acomodamos em um hotel, e no dia seguinte rumamos para a cidade do Oiapoque. pernoitamos em Calçoene,e  lá visitamos a única praia do estado.um lugar paradisíaco sem igual,em seguida pegamos  a  estrada novamente com destino  ao  Oiapoque.

      Chegamos ao Oiapoque, nosso primeiro objetivo da expedição, no extremo norte do Brasil, à tarde debaixo de uma forte chuva e mais de 200 km de estradas de terra. Pernoitamos ali, conhecemos a pequena cidade onde o Brasil começa e na manhã seguinte retornamos á Macapá.

     Em Macapá visitamos o marco zero e algumas outras atrações e novamente embarcamos com destino á Belém

    Fomos recebidos em Belém pelo irmão BR’S (Alex Reis Menezes) a quem sou grato pelo apoio e pelos escritos que farão parte do livro, e parabenizar também o trabalho desenvolvido pelos expedicionários do Pará, um trabalho social louvável de grandes pessoas que são, e que descrevo em meu livro com muito orgulho. Parabéns Alex e irmãos expedicionários do Pará pela brilhante iniciativa, e que DEUS na sua infinita bondade e misericórdia abençoe a todos vocês. Visitamos o mercado ver- o- peso, e tantas outras belezas da cidade de Belém, além da magnífica Ilha de Marajó, um lugar paradisíaco, e de uma beleza exuberante. Depois de fazer a revisão e trocar o pneu traseiro das motos seguimos viagem com destino a São Luis no Maranhão. Aqui a paisagem já começa a mudar, a selva vai dando espaço a uma vegetação menos densa e já se começa a sentir no ar um cheiro gostoso de caju, alíás o nordeste todo tem um aroma gostoso de caju. Em São Luis fomos recebidos novamente pelos irmãos BR’S (Expedito) e ali desfrutamos de alguns dias de praia, sol e mar, deixamos o litoral e seguimos rumo a Teresina no Piauí, onde fomos recepcionados pelos irmãos riders (Bambu) e os bodes do asfalto. Teresina é uma capital interiorana e ao mesmo tempo majestosa, com belas avenidas e arquitetura moderna. Chegando ao Ceará começamos a trafegar por estradas consideradas por nós as piores do país, fomos recebidos novamente em fortaleza pelos riders e pelos bodes do asfalto (Carlos Oliveira (CBOB). Permanecemos três dias em fortaleza e pudemos conhecer bem a capital Cearense. Belas praias e muito sol fazem desse estado um dos mais belos, e quentes de todo o nordeste Brasileiro, a meu ver.

     Saímos cedo em direção a Natal, o cenário aqui é belíssimo uma vegetação típica do semi-árido cobre toda a extensão de terras. No caminho pernoitamos em canoa quebrada uma das mais belas praias que conhecemos no percurso. Chegamos a Natal no dia seguinte e fomos recebidos novamente pelos irmãos riders, (Graça e seu esposo Roberto, e Belarmino) que nos deram as boas vindas, levando-nos para conhecer toda a cidade, ali ficamos por mais dois dias desfrutando as maravilhas de Natal. Em seguida rumamos para João Pessoa capital da Paraíba, onde novamente fomos recebidos pelos irmãos riders. conhecemos cabedelo e lá vimos o por  do  sol mais belo da viagem agraciados pelo som de um sax maravilhoso. No fim da tarde, o pôr-do-sol ao som do bolero de Ravel, na praia fluvial do jacaré, é um verdadeiro espetáculo, contemplado todos os dias por centenas de pessoas.

     Seguimos viagem para Recife, passamos por Olinda e desfrutamos as belezas da cidade, um patrimônio cultural inigualável, conhecemos as belezas de Recife e fomos direto para porto de galinhas, onde ficamos por mais dois dias, Descansando e apreciando as belezas do lugar.

 

     Saímos com destino a Maceió, chegamos à tarde, e fomos recepcionados pelo casal de amigos Sérgio Vaz e sua esposa Eliane, desfrutamos da sua hospitalidade por dois dias, e conhecemos as belezas da cidade, seguimos viagem pela manhã do terceiro dia com destino a Aracaju, onde fizemos uma breve parada. Dois dias após retomamos a viagem seguindo pela linha verde com destino a Salvador. A linha verde é considerada uma das mai s belas rodovias do país, é simplesmente lindo, enche os olhos de tanta beleza, vastos coqueirais, o verde azulado do mar, tudo na mais perfeita sincronia com a natureza.

     Em Salvador fomos recebidos pelo irmão BR’S, (Chico). Salvador foi uma das capitais que mais tempo ficamos, ali pudemos revisar as motos, descansar, conhecer vários pontos turísticos, saborear a culinária inigualável da Bahia e aproveitar belas praias. Tudo se vê e se prova na Bahia, uma terra de magia e encantos.

      Ficamos hospedados por alguns dias na casa dos meus primos Robinho e Adriana em Lauro de Freitas, e após seis dias de descanso, pegamos a estrada com destino a Palmas no Tocantins. Nesse percurso o sol castigou muito nossa pele, o sertão baiano é muito precário e ali a necessidade de sobrevivência faz com que você seja realmente forte e determinado. Uma das belezas do local é a chapada diamantina, um verdadeiro oásis nesse sertão desértico.

     Chegamos a Palmas após dois dias de viagem, fomos recepcionados por amigos (Família Variani) e desfrutamos a beleza e o calor da mais nova capital da federação. Uma cidade planejada, promissora e aberta á todos que desejam uma oportunidade.

     De Palmas seguimos para Goiânia, onde os irmãos BR’S (Marchetti e Ricardo) novamente nos recepcionaram, uma breve passagem por Goiânia e no dia seguinte seguimos para Brasília onde participamos do nono encontro motociclistico nas proximidades do estádio Mané garrincha. Fomos recebidos pelo irmão BR’S(Raimundão),e Ali fomos agraciados com um troféu pela iniciativa, coragem, determinação e ousadia em realizar tamanha façanha.

     Seguimos no dia seguinte para Belo Horizonte, nesse trajeto que fizemos em dois dias, em virtude de a estrada ser muito sinuosa, descobrimos belezas raras, que fazem parte da história do Brasil. fomos recebidos em Belo Horizonte pelo irmão Lindemberg (bodes do asfalto) e ficamos alojados na sua casa por dois dias desfrutando das belezas de Belo Horizonte e de uma cachaça autêntica de Minas Gerais. Seguimos dali para Vitória no Espírito Santo, onde novamente fomos recebidos pelos irmãos riders (Fábio, Anselmo, Boró, Geraldo e Biffi) e por ali ficamos por mais dois dias aproveitando as delícias e belezas da capital capixaba. Em seguida rumamos para o Rio de Janeiro. Nesse percurso a  chuva já começou a  castigar e dali em diante até  o  final da expedição seria  a  nossa companheira constante nos caminhos  do Brasil.no Rio de Janeiro fomos novamente recebidos e  acomodados pelos irmãos BR’S,(Formigão e Dennis)fizemos um tour pela  cidade maravilhosa de  dois dias e  em seguida fomos para Volta Redonda a cidade do aço,onde nos  encontramos  novamente com os  irmãos Falcões de  Aço e  ali permanecemos por mais  cinco dias desfrutando da  sua  hospitalidade e  aguardando  o  encontro de motociclistas realizado por  eles.

     Novamente na estrada com destino a São Paulo, fizemos uma breve parada em Aparecida, para pedir as bênçãos de nossa senhora padroeira do Brasil e dos motociclistas. Chegamos á capital paulistana debaixo de uma forte tempestade e fomos recebidos já na entrada da cidade pelos irmãos riders (Carlinhos e Beto Sampa) e em sua companhia permanecemos mais três dias, conhecendo as belezas da capital paulistana, que são muitas. No inicio do quarto dia descemos a serra passamos por Santos, e chegamos á Curitiba, capital paranaense, o trajeto foi quase todo percorrido novamente debaixo de muita chuva. Em Curitiba onde fomos recebidos pelos irmãos BR’S e pelos bodes do asfalto (Leonel, Robson e Maçaneiro), participamos de um passeio moto ciclístico até Vila Velha, em comemoração ao aniversário do corpo de bombeiros do Paraná. Permanecemos na capital Paranaense por três dias e seguimos para Florianópolis, a capital catarinense. um breve tour pela  ilha e  fomos para Palhoça onde fomos  recebidos e desfrutamos da  hospitalidade do grande motociclista “gau” fundador  do Brazil Riders .     “gau” já percorreu o mundo de motocicleta e tem mais de um milhão de km rodados em cima de uma motocicleta. ( Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.). Este por sua vez nos parabenizou pela coragem e ousadia em realizar tal façanha, e nos incentivou para que não parássemos de viajar.

     De Palhoça seguimos com destino a Porto Alegre, mas não sem antes subir a tão temida e famosa serra do Rio do Rastro próximo á São Joaquim. Chegamos a Porto Alegre na tarde de um domingo percorremos a capital e seguimos para Pelotas onde próximo dali pernoitamos e no dia seguinte bem cedo rumamos com destino ao Chuí.

     Chegamos ao Chuí, o ponto extremo ao sul do país, ficamos por ali mais dois dias registramos nossa passagem e voltamos para o interior do Rio Grande do Sul, agora com destino á Campo Grande, nossa última capital antes de chegar a casa. O frio e a chuva já haviam nos castigado bastante e o cansaço agora era visível, em Cascavel meu parceiro de viagem por motivos alheios a sua vontade teve que seguir viagem.       Permaneci mais alguns dias matando a saudade dos pais, amigos e familiares, fui recepcionado pelos irmãos Riders e Cobras do Asfalto, Jair Duarte, fadanelli, Miguel Persch e muitos outros e no final de uma semana segui para Campo Grande-MS. Ali chegando, fui recebido pelo meu grande irmão motociclista Major Moura, integrante do moto clube Falcões de Aço - RJ registrei a passagem e fui pescar no pantanal a convite de um velho e grande amigo Sidney Dal Bosco, permaneci em seu rancho no pantanal por mais de uma semana. pude relaxar,descansar e  curtir boas pescarias em companhia de grandes amigos.

     No dia 05 de novembro sai de campo grande debaixo de uma forte tempestade e cheguei a casa por volta das 17hs, percorrendo assim aproximadamente 30. 000 km, nos caminhos do Brasil, do Oiapoque ao Chuí. Foram 118 dias de emoções, saudades, lagrimas e sorrisos, amigos e mais amigos, uma experiência impar sem igual que todos deveriam um dia experimentar, ao menos que fosse uns poucos quilômetros, mas deveriam.

      O trajeto todo foi feito com duas motos falcon (Honda)nx400cc, que na minha opinião são as melhores máquinas para qualquer tipo de estrada e aventura, principalmente se tratando de uma viagem tão longa, as motos superaram a expectativa e vencemos as distâncias e as dificuldades apresentadas, é realmente lastimável que a Honda tenha descontinuado sua produção, esperamos que repensem e analisem e que possam num futuro próximos trazê-las de volta. Obrigado á todos os irmãos motociclistas, aos amigos, colaboradores, patrocinadores e familiares, que direta ou indiretamente colaboraram para que a expedição tivesse o sucesso almejado.
     As peripécias dessa aventura estão relatadas no livro, ”NA SOLIDÃO DO MEU CAPACETE... A VIAGEM” que espero publicar em breve tão logo consiga patrocinadores, abaixo o prefácio da obra.

PREFÁCIO DO LIVRO.

                                   Na Solidão Do Meu Capacete... A Viagem. 

     Arrumo a bagagem, faço uma breve oração pedindo proteção ao pai divino, antes de ligar o motor converso com a minha moto, trato-a como um cavalo manso e dócil, e peço-lhe que me leve longe, muito longe... Na garupa leve do vento macio, sempre no mesmo passo, como um sonho bom. Ligo o motor, um ronco suave e ritmado, me remete á pensamentos mais íntimos, e permaneço ali por alguns instantes imerso em minhas lembranças e devaneios, afivelo o capacete, acelero a moto e pego a estrada. É sempre bom descobrir novos ares, sair do lugar comum, ou simplesmente rever lugares que já conhecemos abraçar velhos amigos que á tempos não vemos, e fazer novos amigos sem distinções, deixando pelos caminhos amigos sorrisos e valores e trazendo comigo também, amizades, sorrisos e valores, talvez resgatados em uma memória esquecida pelo próprio tempo, e para quem acha que cada viagem é única e se torna inusitada, concordo plenamente, é muito bom partir para uma longa viagem, porém, é melhor ainda, retornar ao "seio do lar", dos nossos familiares e amigos e da nossa bela cidade de primavera do leste, trazendo na bagagem novas experiências, novos sentimentos, novos amigos, novos amores e muitas saudades. Uma longa viagem pode mudar a cabeça da gente, e muda.   

     Adquirimos com ela várias experiências, muitas delas sensoriais, outras apenas no silêncio dos pensamentos perdidos, alheio a quase tudo, pilotando a moto sozinho, ali na solidão do meu capacete vou mentalizando e escrevendo meu livro, já envolvido antecipadamente pela atmosfera do inusitado, do imaginário, do novo e da mudança. Vou fazendo uma reforma intima em meus pensamentos, buscando o porquê de tantos erros e acertos, de tantas idas e vindas, tantos relacionamentos desfeitos, tantos amores que se foram tantos porquês... Uma longa viagem rumo ao desconhecido, alcança lugares muito mais remotos que um imaginável continente longínquo, fazer uma longa viagem é antes de mais nada, fazer uma jornada para dentro de nós mesmos, visitando o nosso próprio ego. Fazer uma longa viagem não requer na bagagem, apenas produtos de higiene, comida ou vestimentas, mas sim um espírito forte, determinado e necessitado, buscando algo mais para a sua realização plena, e quem sabe descompromissado e cheio de expectativas quanto a tudo o que vive fora da sua vida habitual e do seu cotidiano, além de ensinamentos que consegue reconhecer nas pequenas coisas, como o aroma exalado por uma flor exótica, adormecida pelos raios de um pôr-do-sol mental, a remexer todos os cantos possíveis da alma sonhadora do viajante... Uma paisagem paradisíaca, única talvez... Uma noite de luar, onde somente a lua é a nossa companhia constante... O frescor do vento acariciando o rosto, e purificando a alma do viajante por completo... Um sabor inigualável de uma especiaria rara, experimentada em algum lugar distante... Uma vida que parece passar rapidamente no movimento daquele que vai... O som suave da saudade simples, serena e sincera, abafada apenas pelo ronco do valente motor da motocicleta, mesmo diante da explosão de vontade nessa busca desmedida de quem trilha um caminho solitário...

     Quem viaja sente tudo tão perfeito e experimenta a grandeza de poder questionar: o que busco? O que faço quando encontrar? E se não encontrar? A poesia presente na vida fica mais clara, a presença de DEUS fica mais forte e marcante, o universo nos envolve por completo, a liberdade abre suas asas sobre nós, o cuidado e o carinho com as pessoas ganha um novo significado, ficamos mais emotivos, a consciência dos erros e dos acertos também aflora na alma.

     Quem viaja, sente-se despojado dos laços que o prendem a compromissos, obrigações, e horários, e tem a certeza de voltar, nunca ao mesmo ponto, nunca do mesmo jeito, mas tem a certeza plena de voltar renovado, reconhecível, somente em suas mais primitivas características. Quem viaja, vai e fica deixando a si mesmo no destino final. Contudo, a viagem será sempre necessária enquanto houver caminhos, enquanto os ventos que açoitam nossos cabelos forem favoráveis, enquanto for desejada, enquanto houver sonhos e estradas a serem percorridas, pois os sonhos não envelhecem nunca; e enquanto houver lugares a serem descobertos e amigos a serem conquistados, enquanto houver uma realidade plena, enquanto houver vida e um espírito pulsante dentro de um corpo aventureiro, enquanto ainda houver um motociclista aventureiro apaixonado pela vida e apaixonado por viver.

     Viajar é viver, no sentido verdadeiro da palavra, viajar é não morrer, pois quando de mim não mais restar à matéria, restará ainda pelo menos um pouco do meu espírito aventureiro e algumas lembranças a serem revividas na memória longínqua da saudade.

"essa é a minha vida e por mais que eu teime não sairei vivo dela, portanto quero vivê-la intensamente e não apenas existir, não quero passar por ela em brancas nuvens sem nada realizar de grandioso ou algo de que eu possa ser lembrado e, até quem sabe fazer com que alguém sinta orgulho do meu feito, sem ao menos eternizar na memória daqueles que me amaram uma lembrança saudosa da minha existência aqui na terra”. (Damasceno).

Ler 386 vezes Última modificação em Segunda, 01 Julho 2019 15:29
MAURO COUTINHO DAMASCENO

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