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Relato de viagem

Viver é diferente de estar vivo

Nos devaneios das noites em silêncio, me pego a pensar...

Sim, pensamentos nesse mundo agitado, fragmentado e muito sedento de humanidade.

Perguntas inundam o meu ser:

É possível ter amigos?

É possível "usar" as míd sociais para agregar?

É possível ainda dizer: eu tenho amigos?

No dia em que eu partir, alguém irá se lembrar de mim?

O que dirão?


Vou responder essas questões simplesmente dizendo: se você for um motociclista Brazil Riders, tudo isso é motivo de alegria, e não de preocupação.

Vou lhe dizer os motivos:

1. Recentemente (abril de 2026), reunidos em Chopinzinho para um evento do estado do Paraná, comentávamos que a bandeira do Brazil Riders é pesada.

Sim, muito pesada, pois traz consigo a expressão:
"Irmandade estradeira, motociclismo de viagem, apoio ao motoviajante."

Irmandade vem da palavra irmão, e irmão nos remete à família, ao laço sanguíneo...

E aqui reside um fato muito especial e forte dessa bandeira: o nosso laço sanguíneo é o motociclismo.

Portanto, quando estamos falando e vestindo a bandeira Brazil Riders, nós somos iguais.

E sendo iguais, devemos ver no outro não aquilo em que somos diferentes, mas aquilo que nos une: o motociclismo.

No Brazil Riders somos plural — católicos, evangélicos, espíritas... Podemos ter ateus, torcedores dos mais diversos clubes, pessoas politicamente de direita e de esquerda —, mas também somos singular: motociclistas.

2. Com o Brazil Riders, estamos na contramão do mundo.

Sim, já pararam para observar como são os nossos encontros?

Abraços calorosos na chegada, despedidas cheias de saudade quando saímos e a esperança de um novo evento para nos encontrarmos novamente.

Ah... o celular é visto somente em nossas mãos para fazer registros ou alfinetar aquele irmão que não pôde vir.

Nossas conversas demoradas, falando daquele passeio ou daquela gafe cometida pelo amigo.

O diálogo é nossa ferramenta, o olho no olho é nossa marca, e isso nos faz humanos de fato.

3. Saímos de um evento pensando no próximo.

Não somos um bando de desocupados (temos algumas exceções: aqueles aposentados que nos dão bom dia no grupo e dizem para irmos trabalhar...).

Mas como é bom ver esses "jovens adultos" interagindo...

Nós precisamos de encontros, e isso faz com que nossa bandeira se torne diferente.


4. Recentemente perdemos um amigo, um irmão...

Fiquei a imaginar como ele deve ter ficado feliz com as homenagens, com as fotos replicadas, com as memórias e com as mensagens...

Confesso: pessoas assim não partem, elas são eternizadas.

Afinal, sempre terá alguém lembrando:
"Ah, ele foi lá..."
"Ele dizia isso..."
"Ele faria assim..."

Já parou para pensar quais serão os irmãos BRs que, no dia em que você partir, dirão:

"Vou sentir saudades dele." 

...

Valmor Zeitz/Joinville/ - Blog

Valmor Zeitz *01/04/1949 +05/05/2026 Hoje é um dia de silêncio e saudade na família Rede Brazil Riders. Recebemos com profunda tristeza a notícia da partida de Valmor Zeitz, de Joinville – SC, um grande motociclista, amigo leal e um verdadeiro e

Meus amigos, irmãos BRAZIL RIDERS:

A vida é agora.

Partilhamos a nossa existência, nós precisamos uns dos outros. Somos diferentes, mas o motociclismo nos une — e isso é o suficiente.

O nosso ego jamais pode estar acima da nossa bandeira. Tenha orgulho de usar essa bandeira, como eu tenho, e respeite isso.

Concluo dizendo:

Gratidão a cada BR que faz parte da minha existência.

Vocês fazem a minha vida mais leve e especial.


Padre Dé
Já fui Padre por vocação,
Sou motorista de profissão,
Católico por convicção,
Motociclista por irmandade



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Terça, 23 Junho 2026